São quatro volumes com textos essenciais do pintor de Trás-os-Montes, alguns dos quais traduzidos agora, pela primeira vez, para português. E, juntos, compõem Arte e Pensamento, título da mais recente coleção editada pela Universidade do Porto, em homenagem a Nadir Afonso (1920-2013), um dos grandes artistas portugueses do século XX e um dos mais ilustres antigos estudantes da instituição.

“Ciência e arte têm de falar uma à outra”, assim pensava Nadir, diz-nos Carlos Fiolhais que prefaciou um dos quatro volumes da coleção lançada pela U.Porto Press. “Na mente humana há espaço e tempo para as duas”, conclui o professor de Física da Universidade de Coimbra.

Ao todo, estão aqui reunidos 10 livros. O volume I, intitulado O Sentido da Arte e outros textos, é composto por textos originalmente escritos em francês, agora acessíveis em português.

Celina Silva, investigadora do Centro de Investigação Transdisciplinar Cultura, Espaço e Memória (CITCEM) da Faculdade de Letras da U.Porto e autora do prefácio (FLUP), salienta o facto de estarmos a divulgar “uma obra de cunho teórico, vasta e única”, ainda “inacessível na sua totalidade em língua portuguesa”. São textos essenciais escritos pelo próprio artista, sobre as mais diversas dimensões da arte.

Já o IV volume apresenta, sob o nome de Reflexões Estéticas e Sobre a Vida e Sobre a Obra de Van Gogh, um conjunto de 33 textos que atravessaram a vida de Nadir, datados entre 1959 e 2013, onde podemos encontrar seis inéditos: O Erro de Aristóteles, Período Egípcio, Arte e Estética, Meia Dúzia de Palavras, Raciocínio e Sentimento Síntese Estética.

Os restantes títulos da coleção Arte e Pensamento são Da Intuição Artística ao Raciocínio Estético e As Artes: Erradas Crenças e Falsas Críticas (vol. II) e Universo e Pensamento e outros textos (vol. III).

Recordar Nadir Afonso

Recorda-se que, no âmbito das comemorações do centenário do nascimento de Nadir Afonso, a U.Porto promoveu, ao longo de 2020, a exposição 100 Anos Nadir, Inéditos, que trouxe às salas da Casa Comum (Reitoria) mais de cem trabalhos inéditos do pintor, nunca antes expostos ao público.

Com curadoria de António Quadros Ferreira, professor catedrático da Faculdade de Belas Artes da U.Porto (FBAUP), a exposição 100 Anos Nadir, Inéditos apresentava a obra “Máquina Cinética” como o “motor que reinventa a geometria na instalação da pintura”, abordando ainda estudos, guaches e pinturas.

Uma espécie de “sobrevoo em torno da obra nadiriana”, destacando o “compromisso de um pensamento estético e artístico absolutamente radical”, a montante de uma “praxis pioneira” na afirmação de “uma identidade modernista na Europa do pós-guerra”, acrescenta o curador da exposição, cujo catálogo também já está disponível na U.Porto Press.

Para além de ter participado com um prefácio para a coleção Arte e Pensamento, António Quadros Ferreira produziu ainda o livro Nadir, Mestre de Si Mesmo para a Coleção Marginal da U.Porto Press.

Este livro apresenta várias facetas do artista e faz a ponte entre o pensamento, nas suas várias dimensões, e a praxis. Torna clara a dimensão do nomadismo e da diáspora ao longo de toda a vida e obra de Nadir Afonso.