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Fundação Nadir Afonso

NADIR AFONSO - laurafonso@sapo.pt

Fundação Nadir Afonso

NADIR AFONSO - laurafonso@sapo.pt

26
Abr19

Panificadora de Vila Real, defesa da Cultura e do Património

Laura Afonso

"Os tempos que aí vêm, com o esforço de todos nós, não serão tempos de ódio, violência e demagogia, serão tempos de serviço público, de políticas contra as desigualdades, de defesa da Cultura e do Património do país". Eduardo Ferro Rodrigues, discurso comemorativo do 45º aniversário do 25 de Abril.

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26
Abr19

Movimento 'Pró Nadir' diz que 25 de Abril deu liberdade para defender o património

Laura Afonso

Movimento 'Pró Nadir' diz que 25 de Abril deu liberdade para defender o património

 

Lusa

Vila Real, 25 abr 2019 (Lusa) -- O movimento cívico 'Pró Nadir' disse que a Revolução de Abril proporcionou a liberdade de defesa do património ameaçado, como a panificadora desenhada pelo arquiteto Nadir Afonso, em Vila Real, que está risco de ser demolida.

Cerca de 30 pessoas participaram na quarta-feira à noite, em Vila Real, numa tertúlia seguida de vigília contra a demolição da antiga panificadora projetada pelo arquiteto e artista transmontano, um edifício que está degradado, de propriedade privada e que vai ser vendido a uma cadeia de supermercados.

A iniciativa foi promovida pelo movimento cívico 'Pró Nadir' que se opõe à demolição do edifício construído em 1965, ano em que Nadir Afonso abandonou a arquitetura para se dedicar por inteiro à pintura.

"O 25 de Abril trouxe-nos isso, a possibilidade de sermos nós próprios a defender o nosso património e é isso que nós vamos continuar a fazer nos próximos dias", afirmou Mila Simões de Abreu, investigadora da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e que integra o movimento.

A também arqueóloga adiantou que "há um prazo retórico de cerca de um mês" até à concretização do contrato-promessa de compra e venda daquele espaço.

"Vai haver uma campanha eleitoral e vamos também participar nela ativamente, porque o Nadir Afonso tem uma dimensão internacional", garantiu.

Laura Afonso, viúva de Nadir Afonso, associou-se à vigília e esclareceu que está a lutar "pela preservação do edifício".

"Porque tem características únicas e é um belo exemplar do património industrial e Vila Real ficaria muito mais rica se preservasse esse edifício", sustentou.

Laura Afonso mostrou-se "triste" porque "o estado avançado de degradação da panificadora se deve a um ato voluntário".

"Quando uma retroescavadora entra lá, após o pedido de classificação do edifício, levanta suspeitas", referiu.

A arquiteta Ana Morgado escreveu uma tese de mestrado sobre a panificada e foi quem avançou com o pedido de classificação para imóvel de interesse público em 2016, que foi arquivado em 2018 pela Direção-Geral do Património Cultural (DGPC).

A DGPC considerou que o edifício já não reúne características para uma classificação de âmbito nacional.

"Considero que o património industrial moderno no nosso país ainda não é reconhecido, infelizmente", afirmou Ana Morgado.

A arquiteta disse que a "fachada, a cobertura e o forno" eram os "três elementos que sustentavam a classificação", notando que foram "precisamente esses três elementos que foram destruídos" durante o período de análise do pedido de classificação.

"A estrutura está toda lá, basta reconstruir a fachada, as coberturas e o edifício tem tudo para dar uma nova vida à cidade", defendeu.

Ana Morgado lembrou que Nadir Afonso trabalhou com os arquitetos Le Corbusier e Oscar Niemeyer e que a panificadora "tem referências de ambos".

O movimento lembrou ainda o pedido de classificação como imóvel de interesse municipal, que deu entrada na câmara no final do ano passado e ao qual não obteve resposta.

Contactada pela agência Lusa, fonte da cadeia de supermercados Lidl disse estar "em processo de aquisição do terreno onde se encontram as ruínas das antigas instalações da panificadora" e explicou que "planeia, com este empreendimento, renovar a loja existente em Vila Real, dando não só uma melhor experiência de compra aos seus clientes, como melhores condições de trabalho aos seus colaboradores".

"O projeto que surgirá na sequência desta aquisição está neste momento a ser desenvolvido. É intenção do Lidl incluir uma componente de valorização do artista em causa", salientou a fonte.

A panificadora de Vila Real esteve em funcionamento até à década de 90 do século passado, altura em que entrou em falência, tendo desde então estado ao abandono.

Este edifício é similar ao da panificadora de Chaves, construída em 1962. Os dois imóveis marcam a carreira de Nadir Afonso, por serem os seus últimos projetos de arquitetura.

12
Abr19

Projeto de Nadir Afonso em risco

Laura Afonso

https://expresso.pt/sociedade/2019-04-12-Licenca-para-demolir-edificio-de-Nadir-Afonso-e-ampliar-um-Lidl-revolta-viuva-do-artista?fbclid=IwAR0AcuIjzSFAT3HGDVupyHPyHrz-pPqfR9BW-8VpioilgFjviW5odV5zD60#gs.5a4h3s

Licença para demolir edifício de Nadir Afonso e ampliar um Lidl revolta viúva do artista

12.04.2019 às 16h38

Antiga Panificadora de Vila Real está devoluta e em avançado estado de degradação há duas décadas

D.R.

Edifício de 1965, devoluto e degradado, tem ordem para vir abaixo. Movimento Pró-Nadir anuncia vigília a 24 de abril

A família de Nadir Afonso e um grupo de ativistas admiradores da obra do artista, falecido em 2013, não se conformam com a anunciada demolição da antiga Panificadora de Vila Real, um dos dois edifícios projetados em Portugal pelo arquiteto discípulo de Le Corbusier e que trabalhou com Niemeyer, no Brasil. Construído em 1965, ano em que Nadir abandonou a arquitetuta para se dedicar por inteiro à pintura, o edifício, propriedade privada e abandonado há duas décadas e em avançado estado de degradação, corre o risco de vir abaixo para dar lugar à expansão do Lidl de Vila Real ou à construção do parque de estacionamento da superfície comercial.

A saga para preservar o edifício, similar ao da Panificadora de Chaves, terra natal de Nadir, já se arrasta há mais de quatro anos, quando Laura Afonso e o movimento Pró-Nadir tentou junto da Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) que o imóvel fosse classificado de interesse nacional. O processo de classificação, aberto em abril de 2017, acabou por ser arquivado um ano depois pela DGPC, após parecer do Conselho Nacional de Cultura, que considerou que o edifício já não reúne características para uma classificação de âmbito nacional, face ao seu “estado deplorável”.

O Conselho Nacional de Cultura cita também a Câmara de Vila Real, que alerta que o edifício é um “foco de degradação ambiental, com sérios riscos para a saúde pública e propício à prática da toxicodependência”. Há uma semana, face ao chumbo do processo de classificação, a Direção Regional de Cultura do Norte (DRCN) confirmou que emitiu, por isso, parecer favorável ao “projeto de ampliação do empreendimento comercial adjacente à Panificadora”, embora referindo que a decisão de arquivamento de classificação “não deve ser lida como desvalorização nem do autor nem da sua obra”.

Para eternizar a memória do arquiteto e pintor, a DRCN, liderada por António Pontes, adverte que autor e obra devem ser objeto de valorização na envolvente e no próprio empreendimento comercial, cujo projeto deverá ser submetido a parecer da tutela. “É lamentável que o Governo e a autarquia privilegiem a ampliação de mais um supermercado a valorizar património que é uma referência histórica do século XX”, afirma Laura Afonso, que defende que o edifício tem todas as condições para ser requalificado e destinado a uso público. “Não precisa ser um museu ou casa de cultura, pode até dar lugar a um espaço como o Mercado da Ribeira, em Lisboa”, acrescenta a viúva de Nadir Afonso.

Réplicas entre couves e frangos

Inconformada com a falta de vontade política em preservar o legado de Nadir, Mila Simões de Abreu, docente do departamento de Geologia da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro uma das lideres do movimento Pró-Nadir, pediu uma audiência à secretária de Estado da Cultura, Ângela Ferreira, tendo como propósito a entrega de uma carta aberta dirigida ao Ministério da Cultura, petição assinada por meia centena de pessoas, entre as quais “Siza Vieira e Souto de Moura”.

Na resposta a que o Expresso teve acesso, datada de final de março, a secretaria de Estado recorda que a DGPC decidiu arquivar o processo devido sobretudo ao estado de degradação “que o bem apresenta” e ainda por a Câmara de Vila Real “não estar interessada em adquirir ou intervencionar o edifício”. Na missiva, a Secretaria de Estado sublinha ainda ter sido solicitado um parecer à DRCN, no âmbito das medidas de salvaguarda da ZEP do Alto Douro Vinhateiro, relativo ao processo de licenciamento de ampliação de uma superfície comercial, “obra que implica a demolição do imóvel”.

Perante os dois pareceres favoráveis à demolição, a Secretaria de Estado da Cultura adverte que o promotor da ampliação do Lidl deve desenvolver um projeto de enquadramento urbanístico para a rotunda contígua ao supermercado e apresentar no interior do espaço “réplicas da obra artística do autor”.

Revoltada, Laura Afonso diz ser inacreditável que uma entidade governamental de cultura prefira “destruir uma obra original de características únicas para colocar no seu lugar réplica sabe-se lá do quê entre couves, frangos e detergentes”. Mila Simões de Abreu considera “abominável a ideia que não lembraria ao diabo”, afirmando que o que está em causa é a destruição de um edifício singular no contexto inovador da arquitetura industrial de meados do século XX ”que reflete os valores do Movimento Moderno”.

Vigília pró-Nadir a 24 de abril

Embora há vários anos o grupo Pró-Nadir tente junto do município que “o emblemático edifício” de Vila Real seja salvaguardado - “pedidos a que a presidente da Câmara sempre foi indiferente” -, Mila Simões de Abreu adianta ao Expresso que o grupo e a família de Nadir “vão subir a parada”. O próximo passo é o envio à ministra da Cultura, Graça Fonseca, de uma carta com mais de meio milhar de assinaturas, a que se segue uma vigília a 24 de abril em frente à Panificadora.

“Espero que a ministra tenha outra sensibilidade, até porque Paula Silva devia ter pedido escusa para analisar a classificação do imóvel, dado ser filha da ex-mulher de Nadir Afonso”, refere a docente. O Expresso tentou obter um reação ao processo por parta da DGPC, que remeteu qualquer esclarecimento para a DRPN, que por sua vez endereçou qualquer questão para um comunicado do início de abril.

Ao Expresso, a autarquia, presidida pelo socialista Rui Santos, confirma ter recebido em dezembro último um pedido de classificação do imóvel como de interesse municipal, ao qual não deu resposta na altura por entender que “não se deveria pronunciar, dado que um processo semelhante se encontrava em análise pela Direção Regional da Cultura do Norte”.

Agora, face ao chumbo deste organismo e questionada se o município tem interesse em comprar, a Câmara de Vila Real refere que, mais importante que avaliar o interesse, “é fundamental avaliar a capacidade financeira para adquirir o imóvel, reabilitá-lo, dar-lhe uso e mantê-lo”, concluindo que o investimento “não é prioritário nem possível” dada a realidade financeira e a obrigação do gasto parcimonioso e responsável do erário público.

“A alocação de recursos a este projeto levaria necessariamente ao abandono de outros”, garante o município, que anunciou esta semana o investimento de € 1 milhão para a requalificação da zona da estação de comboios e criação de uma ciclovia. € 1 milhão é, segundo apurou o Expresso junto de fonte próxima do município, o valor de mercado do imóvel da discórdia e pelo qual o proprietário está disponível para vender, mas custará “quase o dobro a requalificá-lo”.

O Expresso tentou sem sucesso obter uma reação por parte da administração do Lidl sobre a compra da antiga Panificadora e projeto de ampliação.

Apesar de afastar a hipótese de compra, o executivo socialista adianta estar preocupado com a degradação acumulada há mais de 20 anos, sem qualquer intervenção. “É uma cicatriz na paisagem urbana e um problema de saúde e segurança pública, sendo utilizado como abrigo de indigentes, situação comunicada às autoridades, que juntamente com o proprietário e a Segurança Social têm a obrigação de resolver o problema”, frisa a Câmara por escrito, lamentando que o movimento Pró-Nadir tenha anunciado a existência de investidores interessados na aquisição para “reconstrução segundo a traça original”.

07
Mai18

Panificadora de Vila Real, um projeto de Nadir Afonso

Laura Afonso

http://www.jornalarquitectos.pt/pt/forum/cronicas/a-panificadora-de-nadir-afonso

 

  
05 / 2017

A panificadora de Nadir Afonso

Um caso de destruição misteriosa, precisa e contínua no Nordeste do país

Por Catarina Ribeiro e Vitório Leite

“Aos olhos de um indivíduo, de uma família, ou até de uma dinastia, uma cidade, uma rua, uma casa, parecem inalteráveis, inacessíveis ao tempo, aos acidentes da vida humana, a tal ponto que se julga poder contrapor e opor a fragilidade da nossa condição à invulnerabilidade da pedra.” 1

 

©merooficina
©merooficina

 

A destruição misteriosa

 

Na madrugada de domingo 8 de Abril de 2017, os vizinhos da antiga e abandonada fábrica panificadora de Vila Real, acordaram com um enorme estrondo. Alguns espreitaram pela janela e repararam que parte da fachada estava no chão. Possivelmente encolheram os ombros e voltaram para a cama, pensando que se tratava do início de mais uma reconstrução que, como muitas outras que se têm realizado no nosso país nos últimos anos, começara pela demolição integral do existente. Poderão não ter percebido nesse momento que a devoluta panificadora de Vila Real projectada na década de 1960 por Nadir Afonso ficou, após esse estrondo, em risco de desaparecer.


Os relatos destes vizinhos e as marcas no solo revelaram o recurso a máquinas pesadas, denunciando que a causa do desabamento da fachada, não fora mero vandalismo, como registado. 2

 

Estas demolições durante o fim-de-semana, não foram o primeiro acto de destruição. Uma breve visita ao local e a consulta de fotografias recentes revelam que, durante os últimos meses, a destruição tem vindo a assolar o interior deste edifício abandonado e inalterado há já vários anos. Uma demolição gradual, realizada em horários que permitem pouca visibilidade. Um empurrão para a destruição total que o tempo e o abandono, sozinhos e desamparados perante uma estrutura tão resistente, não estavam a conseguir levar a cabo.

 

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©Hugo Santos

 

A destruição precisa

 

Talvez por mero acaso, estas demolições tenham começado após ter dado entrada na Direcção Geral do Património Cultural (DGPC) uma candidatura para classificação do edifício a Imóvel de Interesse Público, entregue em Maio de 2016 e empreendida por uma estudante de arquitectura, Ana Luísa Morgado, natural de Vila Real, na sequência da sua tese de mestrado em arquitectura sobre o edifício.

 

Talvez por coincidência, a destruição esteja a incidir em elementos arquitectónicos salientados nessa candidatura, como o antigo forno de pão revestido a azulejos ou a caixilharia em betão que separa o espaço interior e apoia os grandes envidraçados da fachada frontal. Perante a “ameaça” da protecção, a destruição surge apontada aos elementos mais marcantes do edifício. 

Talvez por casualidade, os “vândalos” vão demolindo os elementos mais resistentes do edifício. As estruturas metálicas, os portões e os envidraçados, elementos mais valiosos para uma possível venda ou re-utilização, continuam intactos, enquanto as paredes de alvenaria de tijolo, as estruturas de betão e o forno em tijolo burro se encontram gravemente danificados.

 

E, talvez por se tratarem apenas de vicissitudes de menor importância, não se conhece qualquer queixa feita às autoridades após se ter detectado a destruição e o suposto vandalismo gradual que assola um edifício com provável interesse histórico.

 

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©Hugo Santos

 

A destruição continua?


Perante a relutância dos serviços da Câmara Municipal em responder àqueles cidadão que os contactaram, na segunda-feira após o fim-de-semana da demolição da fachada, um grupo de habitantes decidiu divulgar as demolições ilegais evidentes em vários meios de comunicação locais e nacionais, tentando obter uma reacção dos responsáveis políticos. Perante a pressão dos meios de comunicação, a reacção foi imediata, tanto por parte do município, que alegadamente mandou uma equipa de técnicos para investigar o acontecimento, como por parte da DGPC, que tomou medidas extraordinárias de aceleração do processo de classificação. 3

 

Tratando-se de um dos poucos vestígios de Arquitectura Moderna em Vila Real, que para além do seu valor patrimonial incalculável e reconhecível, foi destacado como um importante elemento da memória colectiva da cidade, é no mínimo insólito que os responsáveis políticos não tomem a iniciativa de o proteger ou recuperar.


Numa recente consulta à população de Vila Real, no âmbito de um concurso de ideias de regeneração urbana 4, promovido em 2015 pela CIP e pela Câmara Municipal, o edifício foi destacado como um ponto importante da cidade. Nesta consulta, a panificadora foi o elemento da cidade mais referenciado para uma possível recuperação. E a sua relevância terá sido tão evidente que, embora afastado do centro histórico da cidade, o edifício foi objecto do concurso de ideias de arquitectura para a regeneração urbana da cidade, com apresentação pública dos resultados em Setembro de 2015. Este concurso e o reconhecido interesse arquitectónico do edifício, sobre o qual se têm escrito vários artigos e realizado extensos trabalhos académicos, de nada parecem ter valido para a sua salvaguarda, nunca se tendo revelado da parte de nenhuma instituição da cidade, qualquer interesse ou intenção na sua recuperação.

 

As características morfológicas e construtivas da Panificadora são: a estrutura em betão armado que permite a configuração aberta e flexível das suas naves; as coberturas abobadadas, ligeiramente apontadas em diagonal, que facilitam a iluminação natural de todo o espaço e os revestimentos, correntes e funcionais, sugerem um projecto de reabilitação de custos controlados, com poucos recursos, e facilmente adaptável a diversos usos e programas. 

 

No entanto, os responsáveis políticos teimam em ignorar a opinião de grande parte dos habitantes que os elegeram e que desejam a recuperação deste elemento fundamental da história recente da sua cidade.


Hoje, ainda sem protecção, a panificadora projectada por Nadir Afonso continua à mercê dos “vândalos”, que tanto desejam a sua demolição. ◊

 

 
 
 
 
 
01
Mai18

Vamos Salvar o edificio da Panreal

Laura Afonso

http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=Panreal

Para: Ex.mo Sr. Presidente da Câmara de Vila Real, Dr. Rui Santos

O edifício da antiga panificadora PANREAL, erguido sob projeto do clamado transmontano Nadir Afonso, merece ser preservado como exemplo, não só, do génio de um grande artista, de um tipo de arquitetura de época mas também como visão de espaço de trabalho de uma profissão que vai desaparecendo.

O seu estado de destruição não é ainda irreversível mas não se deve esperar pelo longo processo de classificação, por parte das autoridades competentes, mas sim atuar imediatamente e fazer com que sejam abandonados quaisquer projetos que incluíam a sua demolição e transformação ou alteração do essencial da estrutura.

Analisar possíveis formas de aproveitamento do edifício e das fachada originais como um elemento cultural para usufruto da população, da cidade e dos visitantes (por exemplo café, padaria tradicional com decoração alusiva ao arquiteto e pintor).

A salvaguarda do património cultura tem que ser um imperativo do município, numa visão de preservação da memória material e no reconhecimento das características de todos os momentos da história da cidade.

A recuperação de tal espaço seria seguramente um mais valia para todos.
06
Nov13

Panificadora de Vila Real

Laura Afonso

 Parabéns à arquiteta Anabela Quelhas, professora do Agrupamento de Escolas Morgado de Mateus, pelo seu trabalho em defesa do património arquitéctónico.

 

Porquê preservar?


Porquê preservar?
 
Tenho como missão ensinar a ver, ensinar a representar, ensinar a intervir e ensinar a trabalhar. Esta missão, que se vai desenvolvendo ao longo dos anos, integra diversos conteúdos programáticos, entre os quais o património cultural.
 
Por definição o património cultural “é o conjunto de todos os bens, materiais ou imateriais, que, pelo seu valor próprio, devem ser considerados de interesse relevante para a permanência e a identidade da cultura de um povo.”(Wikipédia).
 
Património cultural é tudo aquilo que nos distingue dos outros e que deveremos preservar para passar às gerações futuras. Dentro do património cultural, destaca-se o património arquitectónico. 
Nos anos anteriores tentei sensibilizar os meus alunos para os problemas do mundo rural e por consequência, para a preservação da arquitectura popular. Este ano mudei de direcção e fixei-me na problemática urbana mais próxima. Nós que integramos o agrupamento de escolas da margem esquerda de Vila Real, temos no nosso território exemplos que serviram de motivo de estudo aos meus alunos. A sensibilização foi dirigida aos alunos do 9º ano, jovens de 14 anos, na sala de aula através de, visualização de fotos do meio envolvente mais próximo, registos gráficos realizados pelos alunos, leitura de textos, debate de ideias e reflexões escritas.
 
Porquê preservar?
 
A história de uma cidade também se faz através da arquitectura dos seus edifícios, pois eles são o reflexo de diversos tempos, nas suas vertentes artística, social e humana.
 
Vila Real possui vários edifícios característicos de diversas épocas, conservados ou não, alterados ou originais e que são testemunhos sólidos da vida da nossa cidade, da sua história e da sua gente. Por vezes envolvem situações problemáticas de conservação /manutenção, outras vezes constituem-se como obstáculos a esta ideia desenfreada da especulação, que os edifícios e a história tem que ser forçosamente lucrativos. Todos eles são ícones repositórios das memórias urbanas, mais ou menos adaptados à sociedade moderna, que respondem ou não às mudanças e às exigências do século XXI, mas que fazem parte da cultura desta cidade e são importantes para o desenvolvimento sustentado e para o bem estar social.
 
Por vezes cometem-se erros, alimentam-se desvios, fundamentam-se decisões polémicas... e os cidadãos o que fazem? Remetem-se ao papel de simples espectadores passivos, desconhecendo por vezes o valor patrimonial dos espaços, dos edifícios e os motivos que podem assistir a cada decisão tomada pela autarquia.
 
É necessário construir uma consciência cívica de cidadãos, informados, activos, intervenientes e capazes de influenciar decisões, de quem pode decidir e de lutar por aquilo que lhes pertence.
 
As cidades são como seres vivos, nascem, crescem, aumentam de tamanho, acompanham o tempo e as novas exigências, mas também se degradam, também adoecem e ficam moribundas. 
As cidades são feitas por semelhanças mas também pelas suas diferenças. As exigências dos seus habitantes é cada vez maior e por isso as cidades mudam, mas é conveniente que mudem para melhor, sem sacrificar a sua história e os seus símbolos, pois são estes componentes que criam a identidade dos cidadãos.
 
Talvez se levante a questão do que é efectivamente património arquitectónico. Património arquitectónico serão apenas os monumentos? Serão apenas os edifícios ou locais selecionados pelo Instituto Português do Património Arquitectónico? Serão apenas os edifícios antigos com muitos anos de existência? Entendo que a ideia de património arquitectónico é mais vasta, englobando imóveis de autor, imóveis modestos com particularidades formais ou construtivas de destaque, imóveis contemporâneos que espelham o nosso momento civilizacional, imóveis que testemunham a memória colectiva de um local…. Deve ser uma ideia sempre aberta e enriquecida gradualmente conforme as cidades e conforme os seus habitantes.
 
É necessário saber valorizar e saber porquê.
 
Reparem que muitos de nós, vivemos uma vida inteira no mesmo sítio, não estamos de passagem, assumimos uma vida sedentária, num país, numa cidade, numa comunidade, estabelecendo ligações laborais e afectivas com o espaço que nos envolve e com as pessoas, criando redes e articulações derivadas dos percursos que fazemos, quando vamos trabalhar, quando vamos às compras, quando nos vamos divertir, quando visitamos familiares e amigos e até quando permanecemos em casa olhando pela janela ou reflectindo sobre nós mesmos.
 
Nós vivemos numa cidade de características únicas que a identificam como Vila Real, diferente do Porto, de Lisboa ou de Bragança. A força da globalização, da uniformização e da normalização é enorme, e se não favorecermos uma contra corrente de opinião e de vontade sobre situações urbanas únicas da nossa identidade, essa força engolir-nos-á convertendo a nossa cidade numa urbe formatada e sem alma, onde cada um de nós será apenas mais um, contanto apenas como expressão numérica. 
É isso que queremos?
 
É necessário conservar a nossa cultura para a podermos legar aos nossos filhos, pois ela dignifica-nos a todos.
 
É necessário termos orgulho daquilo que possuímos.
 
Talvez ninguém se desloque a Vila Real para ver um centro comercial, um hipermercado, um hotel de 15 pisos, um pavilhão desportivo, mas certamente alguém virá para ver uma obra de autor e neste caso do arquitecto Nadir Afonso, um exemplo da arquitectura moderna portuguesa. É esta certeza que faz com que olhemos para o edifício da Panificadora de Vila Real com outros olhos e olhar renovado - olhos que sabem ver, sentir e relacionar.
 
A história, o autor e o desenho arquitectónico são três elementos que irão certamente validar a sua preservação e irão gerar desconforto na nossa consciência cívica ao visualizarmos o que ali está actualmente - edifício degradado, vazio de função, cheio de lixo e entulho, vandalizado, sujo, grafitado, mas que comunica pelo silêncio, e bem. Nós ignoramo-lo e ele permanece mudo e estático, presenciando as mudanças, assistindo passivamente às agressões de que é alvo, integrando a dialéctica dos tempos, esvaindo-se em marginalidade e deterioração, mas com uma dignidade ímpar daqueles que sabem o valor que têm e sabem ser resilientes. 
Quem não conhece, experimente ver o local ou visualize as fotos.


Anabela Quelhas (arqtª)
(docente de artes visuais do Agrupamento de Escolas Morgado de Mateus) 
(não respeita o acordo ortográfico)
 

2 comentários:

  1. A força do sentir de alguém que sem poder, tem o poder das palavras.

    Responder
  2. Agradeço os comentários. O blogue continua em construção.

    Responder

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