Segunda-feira, 7 de Maio de 2018

Panificadora de Vila Real, um projeto de Nadir Afonso

http://www.jornalarquitectos.pt/pt/forum/cronicas/a-panificadora-de-nadir-afonso

 

  
05 / 2017

A panificadora de Nadir Afonso

Um caso de destruição misteriosa, precisa e contínua no Nordeste do país

Por Catarina Ribeiro e Vitório Leite

“Aos olhos de um indivíduo, de uma família, ou até de uma dinastia, uma cidade, uma rua, uma casa, parecem inalteráveis, inacessíveis ao tempo, aos acidentes da vida humana, a tal ponto que se julga poder contrapor e opor a fragilidade da nossa condição à invulnerabilidade da pedra.” 1

 

©merooficina
©merooficina

 

A destruição misteriosa

 

Na madrugada de domingo 8 de Abril de 2017, os vizinhos da antiga e abandonada fábrica panificadora de Vila Real, acordaram com um enorme estrondo. Alguns espreitaram pela janela e repararam que parte da fachada estava no chão. Possivelmente encolheram os ombros e voltaram para a cama, pensando que se tratava do início de mais uma reconstrução que, como muitas outras que se têm realizado no nosso país nos últimos anos, começara pela demolição integral do existente. Poderão não ter percebido nesse momento que a devoluta panificadora de Vila Real projectada na década de 1960 por Nadir Afonso ficou, após esse estrondo, em risco de desaparecer.


Os relatos destes vizinhos e as marcas no solo revelaram o recurso a máquinas pesadas, denunciando que a causa do desabamento da fachada, não fora mero vandalismo, como registado. 2

 

Estas demolições durante o fim-de-semana, não foram o primeiro acto de destruição. Uma breve visita ao local e a consulta de fotografias recentes revelam que, durante os últimos meses, a destruição tem vindo a assolar o interior deste edifício abandonado e inalterado há já vários anos. Uma demolição gradual, realizada em horários que permitem pouca visibilidade. Um empurrão para a destruição total que o tempo e o abandono, sozinhos e desamparados perante uma estrutura tão resistente, não estavam a conseguir levar a cabo.

 

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©Hugo Santos

 

A destruição precisa

 

Talvez por mero acaso, estas demolições tenham começado após ter dado entrada na Direcção Geral do Património Cultural (DGPC) uma candidatura para classificação do edifício a Imóvel de Interesse Público, entregue em Maio de 2016 e empreendida por uma estudante de arquitectura, Ana Luísa Morgado, natural de Vila Real, na sequência da sua tese de mestrado em arquitectura sobre o edifício.

 

Talvez por coincidência, a destruição esteja a incidir em elementos arquitectónicos salientados nessa candidatura, como o antigo forno de pão revestido a azulejos ou a caixilharia em betão que separa o espaço interior e apoia os grandes envidraçados da fachada frontal. Perante a “ameaça” da protecção, a destruição surge apontada aos elementos mais marcantes do edifício. 

Talvez por casualidade, os “vândalos” vão demolindo os elementos mais resistentes do edifício. As estruturas metálicas, os portões e os envidraçados, elementos mais valiosos para uma possível venda ou re-utilização, continuam intactos, enquanto as paredes de alvenaria de tijolo, as estruturas de betão e o forno em tijolo burro se encontram gravemente danificados.

 

E, talvez por se tratarem apenas de vicissitudes de menor importância, não se conhece qualquer queixa feita às autoridades após se ter detectado a destruição e o suposto vandalismo gradual que assola um edifício com provável interesse histórico.

 

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©Hugo Santos

 

A destruição continua?


Perante a relutância dos serviços da Câmara Municipal em responder àqueles cidadão que os contactaram, na segunda-feira após o fim-de-semana da demolição da fachada, um grupo de habitantes decidiu divulgar as demolições ilegais evidentes em vários meios de comunicação locais e nacionais, tentando obter uma reacção dos responsáveis políticos. Perante a pressão dos meios de comunicação, a reacção foi imediata, tanto por parte do município, que alegadamente mandou uma equipa de técnicos para investigar o acontecimento, como por parte da DGPC, que tomou medidas extraordinárias de aceleração do processo de classificação. 3

 

Tratando-se de um dos poucos vestígios de Arquitectura Moderna em Vila Real, que para além do seu valor patrimonial incalculável e reconhecível, foi destacado como um importante elemento da memória colectiva da cidade, é no mínimo insólito que os responsáveis políticos não tomem a iniciativa de o proteger ou recuperar.


Numa recente consulta à população de Vila Real, no âmbito de um concurso de ideias de regeneração urbana 4, promovido em 2015 pela CIP e pela Câmara Municipal, o edifício foi destacado como um ponto importante da cidade. Nesta consulta, a panificadora foi o elemento da cidade mais referenciado para uma possível recuperação. E a sua relevância terá sido tão evidente que, embora afastado do centro histórico da cidade, o edifício foi objecto do concurso de ideias de arquitectura para a regeneração urbana da cidade, com apresentação pública dos resultados em Setembro de 2015. Este concurso e o reconhecido interesse arquitectónico do edifício, sobre o qual se têm escrito vários artigos e realizado extensos trabalhos académicos, de nada parecem ter valido para a sua salvaguarda, nunca se tendo revelado da parte de nenhuma instituição da cidade, qualquer interesse ou intenção na sua recuperação.

 

As características morfológicas e construtivas da Panificadora são: a estrutura em betão armado que permite a configuração aberta e flexível das suas naves; as coberturas abobadadas, ligeiramente apontadas em diagonal, que facilitam a iluminação natural de todo o espaço e os revestimentos, correntes e funcionais, sugerem um projecto de reabilitação de custos controlados, com poucos recursos, e facilmente adaptável a diversos usos e programas. 

 

No entanto, os responsáveis políticos teimam em ignorar a opinião de grande parte dos habitantes que os elegeram e que desejam a recuperação deste elemento fundamental da história recente da sua cidade.


Hoje, ainda sem protecção, a panificadora projectada por Nadir Afonso continua à mercê dos “vândalos”, que tanto desejam a sua demolição. ◊

 

 
 
 
 
 

publicado por Laura Afonso às 16:04
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Terça-feira, 1 de Maio de 2018

Vamos Salvar o edificio da Panreal

http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=Panreal

Para: Ex.mo Sr. Presidente da Câmara de Vila Real, Dr. Rui Santos

O edifício da antiga panificadora PANREAL, erguido sob projeto do clamado transmontano Nadir Afonso, merece ser preservado como exemplo, não só, do génio de um grande artista, de um tipo de arquitetura de época mas também como visão de espaço de trabalho de uma profissão que vai desaparecendo.

O seu estado de destruição não é ainda irreversível mas não se deve esperar pelo longo processo de classificação, por parte das autoridades competentes, mas sim atuar imediatamente e fazer com que sejam abandonados quaisquer projetos que incluíam a sua demolição e transformação ou alteração do essencial da estrutura.

Analisar possíveis formas de aproveitamento do edifício e das fachada originais como um elemento cultural para usufruto da população, da cidade e dos visitantes (por exemplo café, padaria tradicional com decoração alusiva ao arquiteto e pintor).

A salvaguarda do património cultura tem que ser um imperativo do município, numa visão de preservação da memória material e no reconhecimento das características de todos os momentos da história da cidade.

A recuperação de tal espaço seria seguramente um mais valia para todos.

publicado por Laura Afonso às 13:23
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Quarta-feira, 17 de Fevereiro de 2016

Visita de um grupo de alunos ISCTE-IUL Departamento de Arquitectura e Urbanismo a Chaves. Panificadora, projeto de Nadir Afonso

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publicado por Laura Afonso às 16:01
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Sexta-feira, 22 de Maio de 2015

Panificadora em Chaves, projeto de Nadir Afonso

 

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publicado por Laura Afonso às 12:13
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Quarta-feira, 6 de Novembro de 2013

Panificadora de Vila Real

 Parabéns à arquiteta Anabela Quelhas, professora do Agrupamento de Escolas Morgado de Mateus, pelo seu trabalho em defesa do património arquitéctónico.

 

Porquê preservar?


Porquê preservar?
 
Tenho como missão ensinar a ver, ensinar a representar, ensinar a intervir e ensinar a trabalhar. Esta missão, que se vai desenvolvendo ao longo dos anos, integra diversos conteúdos programáticos, entre os quais o património cultural.
 
Por definição o património cultural “é o conjunto de todos os bens, materiais ou imateriais, que, pelo seu valor próprio, devem ser considerados de interesse relevante para a permanência e a identidade da cultura de um povo.”(Wikipédia).
 
Património cultural é tudo aquilo que nos distingue dos outros e que deveremos preservar para passar às gerações futuras. Dentro do património cultural, destaca-se o património arquitectónico. 
Nos anos anteriores tentei sensibilizar os meus alunos para os problemas do mundo rural e por consequência, para a preservação da arquitectura popular. Este ano mudei de direcção e fixei-me na problemática urbana mais próxima. Nós que integramos o agrupamento de escolas da margem esquerda de Vila Real, temos no nosso território exemplos que serviram de motivo de estudo aos meus alunos. A sensibilização foi dirigida aos alunos do 9º ano, jovens de 14 anos, na sala de aula através de, visualização de fotos do meio envolvente mais próximo, registos gráficos realizados pelos alunos, leitura de textos, debate de ideias e reflexões escritas.
 
Porquê preservar?
 
A história de uma cidade também se faz através da arquitectura dos seus edifícios, pois eles são o reflexo de diversos tempos, nas suas vertentes artística, social e humana.
 
Vila Real possui vários edifícios característicos de diversas épocas, conservados ou não, alterados ou originais e que são testemunhos sólidos da vida da nossa cidade, da sua história e da sua gente. Por vezes envolvem situações problemáticas de conservação /manutenção, outras vezes constituem-se como obstáculos a esta ideia desenfreada da especulação, que os edifícios e a história tem que ser forçosamente lucrativos. Todos eles são ícones repositórios das memórias urbanas, mais ou menos adaptados à sociedade moderna, que respondem ou não às mudanças e às exigências do século XXI, mas que fazem parte da cultura desta cidade e são importantes para o desenvolvimento sustentado e para o bem estar social.
 
Por vezes cometem-se erros, alimentam-se desvios, fundamentam-se decisões polémicas... e os cidadãos o que fazem? Remetem-se ao papel de simples espectadores passivos, desconhecendo por vezes o valor patrimonial dos espaços, dos edifícios e os motivos que podem assistir a cada decisão tomada pela autarquia.
 
É necessário construir uma consciência cívica de cidadãos, informados, activos, intervenientes e capazes de influenciar decisões, de quem pode decidir e de lutar por aquilo que lhes pertence.
 
As cidades são como seres vivos, nascem, crescem, aumentam de tamanho, acompanham o tempo e as novas exigências, mas também se degradam, também adoecem e ficam moribundas. 
As cidades são feitas por semelhanças mas também pelas suas diferenças. As exigências dos seus habitantes é cada vez maior e por isso as cidades mudam, mas é conveniente que mudem para melhor, sem sacrificar a sua história e os seus símbolos, pois são estes componentes que criam a identidade dos cidadãos.
 
Talvez se levante a questão do que é efectivamente património arquitectónico. Património arquitectónico serão apenas os monumentos? Serão apenas os edifícios ou locais selecionados pelo Instituto Português do Património Arquitectónico? Serão apenas os edifícios antigos com muitos anos de existência? Entendo que a ideia de património arquitectónico é mais vasta, englobando imóveis de autor, imóveis modestos com particularidades formais ou construtivas de destaque, imóveis contemporâneos que espelham o nosso momento civilizacional, imóveis que testemunham a memória colectiva de um local…. Deve ser uma ideia sempre aberta e enriquecida gradualmente conforme as cidades e conforme os seus habitantes.
 
É necessário saber valorizar e saber porquê.
 
Reparem que muitos de nós, vivemos uma vida inteira no mesmo sítio, não estamos de passagem, assumimos uma vida sedentária, num país, numa cidade, numa comunidade, estabelecendo ligações laborais e afectivas com o espaço que nos envolve e com as pessoas, criando redes e articulações derivadas dos percursos que fazemos, quando vamos trabalhar, quando vamos às compras, quando nos vamos divertir, quando visitamos familiares e amigos e até quando permanecemos em casa olhando pela janela ou reflectindo sobre nós mesmos.
 
Nós vivemos numa cidade de características únicas que a identificam como Vila Real, diferente do Porto, de Lisboa ou de Bragança. A força da globalização, da uniformização e da normalização é enorme, e se não favorecermos uma contra corrente de opinião e de vontade sobre situações urbanas únicas da nossa identidade, essa força engolir-nos-á convertendo a nossa cidade numa urbe formatada e sem alma, onde cada um de nós será apenas mais um, contanto apenas como expressão numérica. 
É isso que queremos?
 
É necessário conservar a nossa cultura para a podermos legar aos nossos filhos, pois ela dignifica-nos a todos.
 
É necessário termos orgulho daquilo que possuímos.
 
Talvez ninguém se desloque a Vila Real para ver um centro comercial, um hipermercado, um hotel de 15 pisos, um pavilhão desportivo, mas certamente alguém virá para ver uma obra de autor e neste caso do arquitecto Nadir Afonso, um exemplo da arquitectura moderna portuguesa. É esta certeza que faz com que olhemos para o edifício da Panificadora de Vila Real com outros olhos e olhar renovado - olhos que sabem ver, sentir e relacionar.
 
A história, o autor e o desenho arquitectónico são três elementos que irão certamente validar a sua preservação e irão gerar desconforto na nossa consciência cívica ao visualizarmos o que ali está actualmente - edifício degradado, vazio de função, cheio de lixo e entulho, vandalizado, sujo, grafitado, mas que comunica pelo silêncio, e bem. Nós ignoramo-lo e ele permanece mudo e estático, presenciando as mudanças, assistindo passivamente às agressões de que é alvo, integrando a dialéctica dos tempos, esvaindo-se em marginalidade e deterioração, mas com uma dignidade ímpar daqueles que sabem o valor que têm e sabem ser resilientes. 
Quem não conhece, experimente ver o local ou visualize as fotos.


Anabela Quelhas (arqtª)
(docente de artes visuais do Agrupamento de Escolas Morgado de Mateus) 
(não respeita o acordo ortográfico)
 

2 comentários:

  1. A força do sentir de alguém que sem poder, tem o poder das palavras.

    Responder
  2. Agradeço os comentários. O blogue continua em construção.

    Responder

publicado por Laura Afonso às 15:57
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Quinta-feira, 19 de Setembro de 2013

Nadir Afonso, arquitecto. Panificadora de Chaves

 

 


publicado por Laura Afonso às 12:18
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Terça-feira, 11 de Junho de 2013

Panificadora de Chaves, 1963. Projeto de Nadir Afonso


publicado por Laura Afonso às 17:15
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Quarta-feira, 7 de Março de 2012

Obra de arquitectura de Nadir Afonso em ruínas

 

 

 

 

Fonte: http://diarissimo.blogspot.com/2007/02/abandono-2.html

 


publicado por Laura Afonso às 10:57
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