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NADIR AFONSO - laurafonso@sapo.pt

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NADIR AFONSO - laurafonso@sapo.pt

26
Abr19

Panificadora de Vila Real, defesa da Cultura e do Património

Laura Afonso

"Os tempos que aí vêm, com o esforço de todos nós, não serão tempos de ódio, violência e demagogia, serão tempos de serviço público, de políticas contra as desigualdades, de defesa da Cultura e do Património do país". Eduardo Ferro Rodrigues, discurso comemorativo do 45º aniversário do 25 de Abril.

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26
Abr19

Movimento 'Pró Nadir' diz que 25 de Abril deu liberdade para defender o património

Laura Afonso

Movimento 'Pró Nadir' diz que 25 de Abril deu liberdade para defender o património

 

Lusa

Vila Real, 25 abr 2019 (Lusa) -- O movimento cívico 'Pró Nadir' disse que a Revolução de Abril proporcionou a liberdade de defesa do património ameaçado, como a panificadora desenhada pelo arquiteto Nadir Afonso, em Vila Real, que está risco de ser demolida.

Cerca de 30 pessoas participaram na quarta-feira à noite, em Vila Real, numa tertúlia seguida de vigília contra a demolição da antiga panificadora projetada pelo arquiteto e artista transmontano, um edifício que está degradado, de propriedade privada e que vai ser vendido a uma cadeia de supermercados.

A iniciativa foi promovida pelo movimento cívico 'Pró Nadir' que se opõe à demolição do edifício construído em 1965, ano em que Nadir Afonso abandonou a arquitetura para se dedicar por inteiro à pintura.

"O 25 de Abril trouxe-nos isso, a possibilidade de sermos nós próprios a defender o nosso património e é isso que nós vamos continuar a fazer nos próximos dias", afirmou Mila Simões de Abreu, investigadora da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e que integra o movimento.

A também arqueóloga adiantou que "há um prazo retórico de cerca de um mês" até à concretização do contrato-promessa de compra e venda daquele espaço.

"Vai haver uma campanha eleitoral e vamos também participar nela ativamente, porque o Nadir Afonso tem uma dimensão internacional", garantiu.

Laura Afonso, viúva de Nadir Afonso, associou-se à vigília e esclareceu que está a lutar "pela preservação do edifício".

"Porque tem características únicas e é um belo exemplar do património industrial e Vila Real ficaria muito mais rica se preservasse esse edifício", sustentou.

Laura Afonso mostrou-se "triste" porque "o estado avançado de degradação da panificadora se deve a um ato voluntário".

"Quando uma retroescavadora entra lá, após o pedido de classificação do edifício, levanta suspeitas", referiu.

A arquiteta Ana Morgado escreveu uma tese de mestrado sobre a panificada e foi quem avançou com o pedido de classificação para imóvel de interesse público em 2016, que foi arquivado em 2018 pela Direção-Geral do Património Cultural (DGPC).

A DGPC considerou que o edifício já não reúne características para uma classificação de âmbito nacional.

"Considero que o património industrial moderno no nosso país ainda não é reconhecido, infelizmente", afirmou Ana Morgado.

A arquiteta disse que a "fachada, a cobertura e o forno" eram os "três elementos que sustentavam a classificação", notando que foram "precisamente esses três elementos que foram destruídos" durante o período de análise do pedido de classificação.

"A estrutura está toda lá, basta reconstruir a fachada, as coberturas e o edifício tem tudo para dar uma nova vida à cidade", defendeu.

Ana Morgado lembrou que Nadir Afonso trabalhou com os arquitetos Le Corbusier e Oscar Niemeyer e que a panificadora "tem referências de ambos".

O movimento lembrou ainda o pedido de classificação como imóvel de interesse municipal, que deu entrada na câmara no final do ano passado e ao qual não obteve resposta.

Contactada pela agência Lusa, fonte da cadeia de supermercados Lidl disse estar "em processo de aquisição do terreno onde se encontram as ruínas das antigas instalações da panificadora" e explicou que "planeia, com este empreendimento, renovar a loja existente em Vila Real, dando não só uma melhor experiência de compra aos seus clientes, como melhores condições de trabalho aos seus colaboradores".

"O projeto que surgirá na sequência desta aquisição está neste momento a ser desenvolvido. É intenção do Lidl incluir uma componente de valorização do artista em causa", salientou a fonte.

A panificadora de Vila Real esteve em funcionamento até à década de 90 do século passado, altura em que entrou em falência, tendo desde então estado ao abandono.

Este edifício é similar ao da panificadora de Chaves, construída em 1962. Os dois imóveis marcam a carreira de Nadir Afonso, por serem os seus últimos projetos de arquitetura.

12
Abr19

Projeto de Nadir Afonso em risco

Laura Afonso

https://expresso.pt/sociedade/2019-04-12-Licenca-para-demolir-edificio-de-Nadir-Afonso-e-ampliar-um-Lidl-revolta-viuva-do-artista?fbclid=IwAR0AcuIjzSFAT3HGDVupyHPyHrz-pPqfR9BW-8VpioilgFjviW5odV5zD60#gs.5a4h3s

Licença para demolir edifício de Nadir Afonso e ampliar um Lidl revolta viúva do artista

12.04.2019 às 16h38

Antiga Panificadora de Vila Real está devoluta e em avançado estado de degradação há duas décadas

D.R.

Edifício de 1965, devoluto e degradado, tem ordem para vir abaixo. Movimento Pró-Nadir anuncia vigília a 24 de abril

A família de Nadir Afonso e um grupo de ativistas admiradores da obra do artista, falecido em 2013, não se conformam com a anunciada demolição da antiga Panificadora de Vila Real, um dos dois edifícios projetados em Portugal pelo arquiteto discípulo de Le Corbusier e que trabalhou com Niemeyer, no Brasil. Construído em 1965, ano em que Nadir abandonou a arquitetuta para se dedicar por inteiro à pintura, o edifício, propriedade privada e abandonado há duas décadas e em avançado estado de degradação, corre o risco de vir abaixo para dar lugar à expansão do Lidl de Vila Real ou à construção do parque de estacionamento da superfície comercial.

A saga para preservar o edifício, similar ao da Panificadora de Chaves, terra natal de Nadir, já se arrasta há mais de quatro anos, quando Laura Afonso e o movimento Pró-Nadir tentou junto da Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) que o imóvel fosse classificado de interesse nacional. O processo de classificação, aberto em abril de 2017, acabou por ser arquivado um ano depois pela DGPC, após parecer do Conselho Nacional de Cultura, que considerou que o edifício já não reúne características para uma classificação de âmbito nacional, face ao seu “estado deplorável”.

O Conselho Nacional de Cultura cita também a Câmara de Vila Real, que alerta que o edifício é um “foco de degradação ambiental, com sérios riscos para a saúde pública e propício à prática da toxicodependência”. Há uma semana, face ao chumbo do processo de classificação, a Direção Regional de Cultura do Norte (DRCN) confirmou que emitiu, por isso, parecer favorável ao “projeto de ampliação do empreendimento comercial adjacente à Panificadora”, embora referindo que a decisão de arquivamento de classificação “não deve ser lida como desvalorização nem do autor nem da sua obra”.

Para eternizar a memória do arquiteto e pintor, a DRCN, liderada por António Pontes, adverte que autor e obra devem ser objeto de valorização na envolvente e no próprio empreendimento comercial, cujo projeto deverá ser submetido a parecer da tutela. “É lamentável que o Governo e a autarquia privilegiem a ampliação de mais um supermercado a valorizar património que é uma referência histórica do século XX”, afirma Laura Afonso, que defende que o edifício tem todas as condições para ser requalificado e destinado a uso público. “Não precisa ser um museu ou casa de cultura, pode até dar lugar a um espaço como o Mercado da Ribeira, em Lisboa”, acrescenta a viúva de Nadir Afonso.

Réplicas entre couves e frangos

Inconformada com a falta de vontade política em preservar o legado de Nadir, Mila Simões de Abreu, docente do departamento de Geologia da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro uma das lideres do movimento Pró-Nadir, pediu uma audiência à secretária de Estado da Cultura, Ângela Ferreira, tendo como propósito a entrega de uma carta aberta dirigida ao Ministério da Cultura, petição assinada por meia centena de pessoas, entre as quais “Siza Vieira e Souto de Moura”.

Na resposta a que o Expresso teve acesso, datada de final de março, a secretaria de Estado recorda que a DGPC decidiu arquivar o processo devido sobretudo ao estado de degradação “que o bem apresenta” e ainda por a Câmara de Vila Real “não estar interessada em adquirir ou intervencionar o edifício”. Na missiva, a Secretaria de Estado sublinha ainda ter sido solicitado um parecer à DRCN, no âmbito das medidas de salvaguarda da ZEP do Alto Douro Vinhateiro, relativo ao processo de licenciamento de ampliação de uma superfície comercial, “obra que implica a demolição do imóvel”.

Perante os dois pareceres favoráveis à demolição, a Secretaria de Estado da Cultura adverte que o promotor da ampliação do Lidl deve desenvolver um projeto de enquadramento urbanístico para a rotunda contígua ao supermercado e apresentar no interior do espaço “réplicas da obra artística do autor”.

Revoltada, Laura Afonso diz ser inacreditável que uma entidade governamental de cultura prefira “destruir uma obra original de características únicas para colocar no seu lugar réplica sabe-se lá do quê entre couves, frangos e detergentes”. Mila Simões de Abreu considera “abominável a ideia que não lembraria ao diabo”, afirmando que o que está em causa é a destruição de um edifício singular no contexto inovador da arquitetura industrial de meados do século XX ”que reflete os valores do Movimento Moderno”.

Vigília pró-Nadir a 24 de abril

Embora há vários anos o grupo Pró-Nadir tente junto do município que “o emblemático edifício” de Vila Real seja salvaguardado - “pedidos a que a presidente da Câmara sempre foi indiferente” -, Mila Simões de Abreu adianta ao Expresso que o grupo e a família de Nadir “vão subir a parada”. O próximo passo é o envio à ministra da Cultura, Graça Fonseca, de uma carta com mais de meio milhar de assinaturas, a que se segue uma vigília a 24 de abril em frente à Panificadora.

“Espero que a ministra tenha outra sensibilidade, até porque Paula Silva devia ter pedido escusa para analisar a classificação do imóvel, dado ser filha da ex-mulher de Nadir Afonso”, refere a docente. O Expresso tentou obter um reação ao processo por parta da DGPC, que remeteu qualquer esclarecimento para a DRPN, que por sua vez endereçou qualquer questão para um comunicado do início de abril.

Ao Expresso, a autarquia, presidida pelo socialista Rui Santos, confirma ter recebido em dezembro último um pedido de classificação do imóvel como de interesse municipal, ao qual não deu resposta na altura por entender que “não se deveria pronunciar, dado que um processo semelhante se encontrava em análise pela Direção Regional da Cultura do Norte”.

Agora, face ao chumbo deste organismo e questionada se o município tem interesse em comprar, a Câmara de Vila Real refere que, mais importante que avaliar o interesse, “é fundamental avaliar a capacidade financeira para adquirir o imóvel, reabilitá-lo, dar-lhe uso e mantê-lo”, concluindo que o investimento “não é prioritário nem possível” dada a realidade financeira e a obrigação do gasto parcimonioso e responsável do erário público.

“A alocação de recursos a este projeto levaria necessariamente ao abandono de outros”, garante o município, que anunciou esta semana o investimento de € 1 milhão para a requalificação da zona da estação de comboios e criação de uma ciclovia. € 1 milhão é, segundo apurou o Expresso junto de fonte próxima do município, o valor de mercado do imóvel da discórdia e pelo qual o proprietário está disponível para vender, mas custará “quase o dobro a requalificá-lo”.

O Expresso tentou sem sucesso obter uma reação por parte da administração do Lidl sobre a compra da antiga Panificadora e projeto de ampliação.

Apesar de afastar a hipótese de compra, o executivo socialista adianta estar preocupado com a degradação acumulada há mais de 20 anos, sem qualquer intervenção. “É uma cicatriz na paisagem urbana e um problema de saúde e segurança pública, sendo utilizado como abrigo de indigentes, situação comunicada às autoridades, que juntamente com o proprietário e a Segurança Social têm a obrigação de resolver o problema”, frisa a Câmara por escrito, lamentando que o movimento Pró-Nadir tenha anunciado a existência de investidores interessados na aquisição para “reconstrução segundo a traça original”.

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Comentários recentes

  • Laura Afonso

    Centro de Artes Nadir Afonso em Boticas

  • Anónimo

    E estas chávenas podem ser adquiridas onde? :)

  • Anónimo

    Gostaria de saber se tem mais imagens sobre os IV ...

  • Laura Afonso

    Sim, divindade egípcia, Thot ou Thoth

  • Mario Ricca

    Será THOTH , a divindade egípcia ?

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