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Fundação Nadir Afonso

NADIR AFONSO - laurafonso@sapo.pt

Fundação Nadir Afonso

NADIR AFONSO - laurafonso@sapo.pt

12
Mar11

«Universo e Pensamento»

Laura Afonso

Texto extraido do livro Universo e Pensamento

 

 

Os estudos sobre a história do tempo poderiam resumir-se a uma memória descritiva sobre a confusão reinante nas noções e nos vocábulos. Na nossa infância, como na infância da humanidade, a noção de fluxo de tempo está contida na ideia de fluxo de movimento e, duma maneira geral, damos o nome de tempo a um estímulo da sensação que é, de facto espacial e dinâmico: vemos, ouvimos, tocamos os objectos e sobre o sentido preciso da sua duração continuamos errando. Atentemos, com efeito, nesta duplicidade decorrente: o tempo comporta-se como um factor que é proporcional ao espaço ou como um factor que o divide? Quando chamamos de tempo ao circuito descrito por um ponteiro — correspondendo ao curso do Sol[1] — aí, o sentido do tempo é expresso por essa noção de percurso; quando chamamos de tempo ao resultado da divisão do espaço pela velocidade do corpo, aí, é o quociente destes dois factores que recebe tal significado. Mantemos, assim, dois enunciados que encerram uma contradição flagrante: ou bem que o tempo é sujeito a uma identificação com o espaço ou bem que é sujeito a uma identificação com o resultado da sua divisão.

 

 



[1] O espaço celeste está para o movimento do Sol, na proporção em que o espaço do mostrador está para o movimento do ponteiro.

 

 

© Nadir Afonso

08
Mar11

«O Sentido da Arte»

Laura Afonso

 

 

A operação que determina o peso é simples, mas a operação que determina a originalidade é complexa. Entre estas duas qualidades não existe senão uma diferença de grau de complexidade operatória. Para estabelecer o peso ou a originalidade comparo o objecto com outros, mas no caso da originalidade o campo de comparação é mais vasto. Não basta para determinar o grau de originalidade comparar o objecto com outro objecto-padrão, é preciso estabelecer a sua relação com inúmeros objectos tomados como termos de comparação. Não é por este quadro ser diferente daquele, dos que se encontram no Louvre ou no Prado que é original; é original porque é único no seu género, porque apresenta características que não existem noutros, e para formular este juízo de uma forma íntegra é preciso levar a comparação às últimas consequências, isto é compará-lo com todos os quadros existentes.

 

© Nadir Afonso

 

Texto extraído de «O  Sentido da Arte»

05
Mar11

A Gaivota

Laura Afonso

 

© Nadir Afonso

 

Ah, todo o cais é uma saudade de pedra!
E quando o navio larga do cais
E se repara de repente que se abriu um espaço
Entre o cais e o navio,
Vem-me, não sei porquê, uma angústia recente,
Uma névoa de sentimentos de tristeza
Que brilha ao sol das minhas angústias relvadas
Como a primeira janela onde a madrugada bate,
E me envolve como uma recordação duma outra pessoa
Que fosse misteriosamente minha.

Ah, quem sabe, quem sabe,
Se não parti outrora, antes de mim,
Dum cais; se não deixei, navio ao sol
Oblíquo da madrugada,
Uma outra espécie de porto?
Quem sabe se não deixei, antes de a hora
Do mundo exterior como eu o vejo
Raiar-se para mim,
Um grande cais cheio de pouca gente,
Duma grande cidade meio-desperta,
Duma enorme cidade comercial, crescida, apoplética,
Tanto quanto isso pode ser fora do Espaço e do Tempo?

 

Ode Marítima, Fernando Pessoa 

Pág. 2/2

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