Quarta-feira, 31 de Janeiro de 2018

Place Rouge

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© Nadir Afonso

«O papel do esteta seria proceder através desses traços errantes, a uma análise do trabalho elaborado em função do objetivo procurado e do resultado finalmente alcançado. Trata-se de apreender no seu conjunto as diferentes qualidades da obra de criação, produto da natureza e do homem, a fim de descobrir entre elas aquelas que relevam especificamente da estética.

Tal como o arquiteto que busca a forma capaz de satisfazer simultaneamente o nosso sentido da proporção e da função arquitetónicas, apercebemo-nos dos desacordos que, por trás da unidade aparente, opõem estes dois tipos de atributos: proporção e função. Mas foram-nos necessários longos trabalhos antes de chegarmos a definir qualitativamente a sua diferença, antes de distinguir aquilo a que chamamos hoje a qualidade de harmonia e a qualidade de perfeição e que tentaremos definir em seguida.

Se não estabelecermos à partida essa diferença qualitativa primordial, os nossos juízos deixar-se-ão contaminar rapidamente - segundo o processo crítico corrente - pela emoção que a obra nos transmite; ora, o facto de eu me sentir emocionado perante este computador ou aquele retrato da minha mãe não significa que eu esteja perante uma obra de arte; e se eu assim o pensar; é porque confundo a forma que exprime a função ou a evocação com a forma que exprime a proporção. Ao designar como obra de arte qualquer objeto de produção ou de investigação, a estética corre o risco de perder-se, arrastada pela vaga do subjetivismo e do ceticismo.» Nadir Afonso, O Sentido da Arte

 


publicado por Laura Afonso às 10:47
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