Quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Revista Mutante nº 4 - Cidade ou não cidade

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Patrícia Serrado

 

 

As leis da matemática são a essência das obras de arte

   

 

 

 

Num início de tarde primaveril, Nadir Afonso, pintor e filósofo, convidou-nos a entrar na sua casa, em Cascais, onde fomos recebidos com enorme simpatia.

Partimos para uma conversa que se converteu nas obras de arte da sua autoria conjugadasempre com as leis da matemática e a geometria. E nunca com o sentimento, porque a essênciada arte é a lógica matemática.

A escolha de Nadir Afonso partiu de uma exposição patente na Assembleia da República, onde“As Cidades no Homem” mostraram algumas das suas mais recentes obras com nomes deurbes, marcadas pela essência das formas, que se cruzam com a perfeição e a harmonia doespaço geométrico.

 

Ao contrário dos artistas plásticos em geral e em contraposição com os críticos de arte, NadirAfonso abomina a explosão de sentimentos desde sempre associada às obras de arte, emparticular à pintura. A explicação cinge-se à compreensão da natureza exterior, mais concretamenteà influência da essência das leis da matemática. Tudo o resto é um jogo de ilusões.

 

Ou seja, as formas têm leis próprias que Nadir Afonso considera exactas e contantes. Este é oconceito objectivo do pintor que busca a harmonia de forma incessante, ou não fosse NadirAfonso um perfeccionista e exigente com as obras da sua própria autoria, as quais podem sofrerpequenos retoques com um traço ou uma forma geométrica que estava em falta, mesmoque já tenham passado décadas após a sua conclusão.

 

A paixão pela pintura surgiu logo na infância. Aos quatro anos. Desde essa altura que Nadir Afonso se sente atraído pela geometria. A percepção das leis da natureza era evidente, mas o pintor quis ir mais além com o intuito de as perceber melhor. Desde então defende a existência das leisda matemática nas obras de arte, um pormenor de extrema importância que os estetas jamais irão encontrar ou conseguir compreender. Afinal, o pintor vê apenas relações de matemática nos quadros da sua autoria, mas a última forma a juntar àquele conjunto de formas é tida como o resultado de todas as outras já existentes. Há, neste contexto, um episódio que Nadir Afonso insiste em contar e que remete para a sua estada em Paris. Numa das suas composições, não

conseguia encontrar a forma exacta para completar um dos cantos. Aquando da visita de um amigo, Vasarely, durante a qual debateram a subjectividade em contraposição com as leis existentes nas obras de arte, Nadir Afonso mostrou o quadro em relação ao qual o também pintor apontou a mesma falha. Face a esta conclusão, Nadir Afonso não só reforçou a existência de leis da matemática na pintura, como também lançou o desafio a Vasarely para que encontrasse a forma ideal para aquele canto, o que aconteceu ao fim de vários dias. Porque, afinal, a pintura é regida pelas formas geométricas regidas pelas leis da matemática.

 

Um desafio idêntico lançou Nadir Afonso quando já estava a trabalhar com o arquitecto brasileiro Oscar Niemeyer. Para o efeito, teriam de alterar um dos quadros que estivesse reproduzido na revista francesa “Art d’Aujourd’hui”, uma pequena mutação identificada e imediato por Nadir Afonso, pois aquela correspondia a uma forma que não se adequava ao conjunto, ao que o pintor português salientou, uma vez mais, a evidência da matemática das formas nos quadros.

 

 

Nadir Afonso é Natural de Chaves, onde nasceu a 4 de Dezembro de 1920. Formado em arquitectura na Escola Superior de Belas-Artes do Porto, ingressa na École des Beaux-Artes de Paris, em 1946, onde conseguiu uma bolsa de estudo. Cinco anos mais tarde entra no atelier do conhecido arquitecto francês Le Corbusier, mas é o desejo de pintar que deixa Nadir Afonso totalmente realizado. Entre 1952 e 1954 trabalhou lado-a-lado com Oscar Niemeyer, no Brasil, regressando a Paris, onde reforça as ligações com artistas influenciados pela arte cinética e desenvolve os estudos de pintura “Espacillimité”, a que se dedicou em exclusivo a partir de 1965, deixando para trás a arquitectura, uma vez que se considera, desde sempre, um pintor.

A pintura é, por sua vez, acompanhada pela publicação de livros, nos quais explica a essência das suas obras e exprime a incompreensão por parte dos estetas, os críticos de arte que insistem em traduzir a pintura numa mera manifestação de sentimentos e não numa mensagem que emerge da exactidão das leis da matemática.

 

 

Fundação Nadir Afonso

 

 

Da autoria de Álvaro Siza Vieira e presidida por Laura da Assunção Afonso, a Fundação Nadir Afonso, na margem direita do rio Tâmega, em Chaves, terá três salas destinadas a exposições temporárias e permanentes, dando, deste modo, a possibilidade de outros artistas plásticos mostrarem os seus trabalhos aos que quiserem visitar as obras do Mestre. As valências serão repartidas ainda por uma auditório, com capacidade para cem pessoas, um arquivo, uma biblioteca, uma cafetaria, uma loja e o atelier do pintor. A conclusão do edifício está prevista para 2011.

 

 

 


publicado por Laura Afonso às 19:04
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