Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2012

Guardador de Rebanhos

 

 

© Nadir Afonso

 

Eu nunca guardei rebanhos,

Mas é como se os guardasse.
Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento e o sol
E anda pela mão das Estações
A seguir e a olhar.
Toda a paz da Natureza sem gente
Vem sentar-se a meu lado.
Mas eu fico triste como um pôr de sol
Para a nossa imaginação,
Quando esfria no fundo da planície
E se sente a noite entrada
Como uma borboleta pela janela.

 

Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)


publicado por Laura Afonso às 10:43
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