Sexta-feira, 20 de Novembro de 2009
Au Girofle de Nadir Afonso

© Nadir Afonso
Segunda-feira, 16 de Novembro de 2009
Periodo Egípcio - Jeu

© Nadir Afonso
Quarta-feira, 11 de Novembro de 2009
Jardins de Antuérpia

© Nadir Afonso
Segunda-feira, 9 de Novembro de 2009
Aguarela - Florença

© Nadir Afonso
Quarta-feira, 4 de Novembro de 2009
Flora de Marajó

© Nadir Afonso
Revista Mutante nº 4 - Cidade ou não cidade
p://www.mutante.pt/revista/edicao4/
Patrícia Serrado
As leis da matemática são a essência das obras de arte
Num início de tarde primaveril, Nadir Afonso, pintor e filósofo, convidou-nos a entrar na sua casa, em Cascais, onde fomos recebidos com enorme simpatia.
Partimos para uma conversa que se converteu nas obras de arte da sua autoria conjugadasempre com as leis da matemática e a geometria. E nunca com o sentimento, porque a essênciada arte é a lógica matemática.
A escolha de Nadir Afonso partiu de uma exposição patente na Assembleia da República, onde“As Cidades no Homem” mostraram algumas das suas mais recentes obras com nomes deurbes, marcadas pela essência das formas, que se cruzam com a perfeição e a harmonia doespaço geométrico.
Ao contrário dos artistas plásticos em geral e em contraposição com os críticos de arte, NadirAfonso abomina a explosão de sentimentos desde sempre associada às obras de arte, emparticular à pintura. A explicação cinge-se à compreensão da natureza exterior, mais concretamenteà influência da essência das leis da matemática. Tudo o resto é um jogo de ilusões.
Ou seja, as formas têm leis próprias que Nadir Afonso considera exactas e contantes. Este é oconceito objectivo do pintor que busca a harmonia de forma incessante, ou não fosse NadirAfonso um perfeccionista e exigente com as obras da sua própria autoria, as quais podem sofrerpequenos retoques com um traço ou uma forma geométrica que estava em falta, mesmoque já tenham passado décadas após a sua conclusão.
A paixão pela pintura surgiu logo na infância. Aos quatro anos. Desde essa altura que Nadir Afonso se sente atraído pela geometria. A percepção das leis da natureza era evidente, mas o pintor quis ir mais além com o intuito de as perceber melhor. Desde então defende a existência das leisda matemática nas obras de arte, um pormenor de extrema importância que os estetas jamais irão encontrar ou conseguir compreender. Afinal, o pintor vê apenas relações de matemática nos quadros da sua autoria, mas a última forma a juntar àquele conjunto de formas é tida como o resultado de todas as outras já existentes. Há, neste contexto, um episódio que Nadir Afonso insiste em contar e que remete para a sua estada em Paris. Numa das suas composições, não
conseguia encontrar a forma exacta para completar um dos cantos. Aquando da visita de um amigo, Vasarely, durante a qual debateram a subjectividade em contraposição com as leis existentes nas obras de arte, Nadir Afonso mostrou o quadro em relação ao qual o também pintor apontou a mesma falha. Face a esta conclusão, Nadir Afonso não só reforçou a existência de leis da matemática na pintura, como também lançou o desafio a Vasarely para que encontrasse a forma ideal para aquele canto, o que aconteceu ao fim de vários dias. Porque, afinal, a pintura é regida pelas formas geométricas regidas pelas leis da matemática.
Um desafio idêntico lançou Nadir Afonso quando já estava a trabalhar com o arquitecto brasileiro Oscar Niemeyer. Para o efeito, teriam de alterar um dos quadros que estivesse reproduzido na revista francesa “Art d’Aujourd’hui”, uma pequena mutação identificada e imediato por Nadir Afonso, pois aquela correspondia a uma forma que não se adequava ao conjunto, ao que o pintor português salientou, uma vez mais, a evidência da matemática das formas nos quadros.
Nadir Afonso é Natural de Chaves, onde nasceu a 4 de Dezembro de 1920. Formado em arquitectura na Escola Superior de Belas-Artes do Porto, ingressa na École des Beaux-Artes de Paris, em 1946, onde conseguiu uma bolsa de estudo. Cinco anos mais tarde entra no atelier do conhecido arquitecto francês Le Corbusier, mas é o desejo de pintar que deixa Nadir Afonso totalmente realizado. Entre 1952 e 1954 trabalhou lado-a-lado com Oscar Niemeyer, no Brasil, regressando a Paris, onde reforça as ligações com artistas influenciados pela arte cinética e desenvolve os estudos de pintura “Espacillimité”, a que se dedicou em exclusivo a partir de 1965, deixando para trás a arquitectura, uma vez que se considera, desde sempre, um pintor.
A pintura é, por sua vez, acompanhada pela publicação de livros, nos quais explica a essência das suas obras e exprime a incompreensão por parte dos estetas, os críticos de arte que insistem em traduzir a pintura numa mera manifestação de sentimentos e não numa mensagem que emerge da exactidão das leis da matemática.
Fundação Nadir Afonso
Da autoria de Álvaro Siza Vieira e presidida por Laura da Assunção Afonso, a Fundação Nadir Afonso, na margem direita do rio Tâmega, em Chaves, terá três salas destinadas a exposições temporárias e permanentes, dando, deste modo, a possibilidade de outros artistas plásticos mostrarem os seus trabalhos aos que quiserem visitar as obras do Mestre. As valências serão repartidas ainda por uma auditório, com capacidade para cem pessoas, um arquivo, uma biblioteca, uma cafetaria, uma loja e o atelier do pintor. A conclusão do edifício está prevista para 2011.
Quarta-feira, 28 de Outubro de 2009
"A matemática é a essência da obra de arte" - Entrevista de Miguel Matos
Miguel Matos teve uma aula de estética em casa de Nadir Afonso e ficou a perceber melhor a sua visão da arte.
Aos 89 anos, Nadir Afonso apresenta na galeria São Mamede uma nova exposição de pinturas a óleo sobre tela e guaches. “Renascimento” é um conjunto de imagens de cidades, o tema mais recorrente do artista. A Time Out aproveitou o pretexto e teve uma conversa que se transformou numa lição de estética e teoria da arte com o mestre do abstraccionismo geométrico.
A cidade é o tema que acompanha desde sempre o seu trabalho. Acha que a cidade é a grande realização humana, um símbolo da civilização?
Como arquitecto é claro que penso no funcionamento da cidade, mas como pintor o tema não tem importância nenhuma. O tema não é a arte. Quando o indivíduo começa a pintar, procura formas que o impressionem mas eu posso ser impressionado por leis que não são artísticas. Como arquitecto tenho de fazer obras perfeitas e a perfeição cria uma emoção, mas a perfeição não pertence à arte.
Antes de ser conhecido como pintor, chegou a trabalhar como arquitecto para Le Corbusier e Oscar Niemeyer. Acha que se não tivesse tido estas experiências a sua obra seria exactamente igual?
Não sei responder a essa pegunta. A arte é irracionalizável. Não sei até que ponto os meus conhecimentos arquitectónicos influenciaram a minha criação artística. É natural que sim, mas não tenho a certeza.
Não considera a arquitectura como arte?
Não, porque a arquitectura tem uma justificação que não é puramente dada pelas leis matemáticas. Está ligada à perfeição, que é uma coisa diferente.
E por ser uma actividade ligada a uma função específica, não é pura criação. Será por isso?
Exactamente. A função da arquitectura é habitada por leis da perfeição que não têm nada a ver com as leis da harmonia, como eu a entendo. 
Ao longo da sua vida tem defendido esse princípio em diversos livros e estudos. Pode explicar essa sua concepção de arte e dos mecanismos que a rodeiam?
As leis que regem a obra de arte são leis concretas, matemáticas. Mas essa matemática não é apreendida pelo raciocínio e sim por uma intuição inata. Isto é um bocado complicado... Andei toda a vida a pensar e a escrever sobre isso. Ao mesmo tempo que fui pintor, procurei compreender esses meus impulsos intuitivos. O artista plástico tende a não racionalizar a sua actividade. O esteta, por outro lado, racionaliza mas não tem a intuição inicial. Tenho a impressão de que para se criar uma obra compreensível, capaz de se transmitir, o indivíduo tem de ter a intuição e a racionalização. E só então é que se pode construir uma crítica de arte. Na minha vida procurei ser um prático, ter impulsos intuitivos e depois compreender porque é que num quadro eu pus um quadrado e não um círculo. No fundo, quis compreender os mecanismos da criação...
Mas para além dessas regras, a sua criação procura a beleza?
A beleza tem limites. A obra de arte obedece a leis matemáticas e eu chamo-lhe beleza, mas outros chamam beleza à perfeição e à originalidade. O esteta confunde as coisas. Está a ver uma obra original e diz que é bela. Ela pode ser original mas não ser bela. Por outro lado, pode ser bela e não ser arte. A meu ver a beleza na arte é matemática.
Fala muito da importância da intuição, mas esse é um factor que está cada vez mais afastado da arte contemporânea, não é verdade?
Está, mas ela é essencial. É por isso que a minha concepção estética é oposta à concepção vigente. Pensam que a arte é a natureza vista através de um temperamento. Pensam que o que existe na arte é um factor psicológico do artista. Eu digo que não. O que intervém na arte é o regresso à natureza e a faculdade de o espírito sentir e empregar as suas leis. Eu digo que o espírito apreende a natureza mas não tem factores próprios que sirvam a arte.
Acredita que há sempre um raciocínio lógico por detrás da criação de cada obra de arte?
Sim. Cheguei a esta conclusão: as leis da matemática são incompreensíveis, mas há uma intuição que distingue o bom do mau. Eu não percebia porque fazia as coisas como fazia. Mas depois compreendi que não era uma coisa racional. O indivíduo sente mas não sabe compreender o mecanismo.
Mas pode-se criar uma obra de arte pelo processo inverso? Começar pelas regras e criar a partir delas?
Não. É preciso praticar e sentir primeiro essas leis. Acabei de escrever um estudo em que faço uma síntese de toda a minha démarche artística. Andei toda a vida a tentar compreender as coisas que sentia e acho que agora já consegui. Tenho a inpressão de ter conseguido finalmente fazer uma ligação entre a intuição inicial das formas e as conclusões que tirei depois de racionalizá-la.
E é através da matemática que podemos explicas os impulsos artísticos?
Sim, são fenómenos puramente matemáticos.
E isto funciona para a pintura, para a escultura... e para a arquitectura?
A obra de arte é puramente pictural e escultórica. A arquitectura já funciona de outra maneira.
Defende que a arte pode ser misturada com a política?
Jamais!
Mas muitos artistas defendem conceitos ideológicos através da arte...
As leis da arte não são sociais nem políticas. Na arte pura, o indivíduo deve pôr de parte todas essas manifestações.
A arte pura de que falou agora tem a ver com uma busca do absoluto. A que se refere o Nadir quando diz que procura esse absoluto?
É o ser total. É o ser em que a lei matemática é essencial.
Julga ter atingido já esse absoluto em algumas obras? Como sabe que o atingiu?
Sei disso quando olho para uma obra e não sinto necessidade de alterá-la. Quando sinto que posso ainda alterar uma obra é porque não cheguei a atingir o absoluto. Agora, pode haver uma evolução na sensibilidade. Eu posso fisicamente estar inferiorizado, mas, e talvez isto seja uma imodéstia, sinto que do ponto de vista mental e psicológico, eu evoluí. Não tenho as faculdades que tinha aos 30 anos mas tenho uma sensibilidade mais aguda e por isso posso retocar os meus quadros porque agora sinto mais a matemática da obra. Acho que a minha sensibilidade está mais refinada, mais requintada.
“Renascimento” está patente na galeria São Mamede (Rua da Escola Politécnica, 167) até 10 de Novembro. De segunda a sexta das 10.30 às 20.00 e sábados das 11.00 às 19.00. A entrada é gratuita.
Time Out, 27 de Outubro de 2009
Terça-feira, 27 de Outubro de 2009
Tejo

© Nadir Afonso
Sexta-feira, 23 de Outubro de 2009
Arquitectarte apresenta Fundação Nadir Afonso de Álvaro Siza Vieira
O programa foi apresentado dia 20 de Outubro na RTP-2
http://tv.rtp.pt/programas-rtp/index.php?p_id=24383&e_id=&c_id=7&dif=tv&dataP=2009-01-29
Quarta-feira, 21 de Outubro de 2009
Boticas e The International Architecture Awards
http://www.archtracker.com/international-architecture-awards/2009/10/

The Chicago Athenaeum: Museum of Architecture and Design and Metropolitan Arts Press Ltd. and co-presented by The European Centre for Architecture Art Design and Urban Studies, announced ninety-seven (97) new distinguished projects and urban schemes selected in this year’s prestigious International Architecture Awards program for 2009.
Given the record numbers of entries this year and the widest geographic distribution of buildings worldwide, The International Architecture Awards have become a global event of an unprecedented scale—an important barometer for the future direction of new architectural design and thinking today—celebrating, recognizing, and highlighting the world’s foremost architectural solutions for the designs of new skyscrapers, corporate buildings, institutions, arts facilities, airports, private homes, industrial structures, and urban planning projects from London to Singapore.
More info after the break.
The selected projects challenge new approaches to design that are beyond the envelope of the everyday, while providing cities with key civic building that celebrate and harmonize architecture as a high art while finding answers to the complicated problems of environment, social context, improving quality of life, and sustainability.
For the 2009 International Architecture Awards, the museum received hundreds of submissions from design firms in Europe, Asia, Africa, Australia, and the Americas. The submissions ranged from the latest new corporate high-tech headquarters to smaller planning projects, bridges, memorials, sacred spaces, and private residences. All submitted projects were designed by architects in their respective countries of origin or abroad for both built and unbuilt projects alike, as of January 1, 2006.

(DELTA)
Meguro/Tokyo, Japan
Architects: Architecton/Akira Yoneda
Client: Tomio Miyazaki
Contractor: Sohken Ability
This year’s jury for awards took place in Helsinki, Finland under the auspices of the Finnish Association of Architects (SAFA) and included some of the most influential design minds in Finland:
- Rainer Mahlamäki, President, Finnish Association of Architects (SAFA), Helsinski, Finland and Principal, Architects Lahdelma & Mahlamäki, Helsinki, Finland
- Kaj Forsblom, Galerie Forsblom, Heksinki, Finland
- Kivi Sotamaa, Principal of SOTAMMA DESIGN, Ltd. and Visiting Professor, Department of Architecture, UCLA, Los Angles, California, USA
- Anne Stenros, Vice President/Design Director, KONE Ojy., Espoo, Finland
- Ilkka Suppanen, Architect/Designer, Studio Suppanen, Helsinki, Finland and Professor, University of Art and Design Helsinki, Finland
- Markku Valkonen, Director, EMMA Espoo Museum of Modern Art, Espoo, Finland
The International Architecture Awards are curated and organized by Christian K. Narkiewicz-Laine, the Finnish Architecture Critic and President, The Chicago Athenaeum and assisted by Lary L. Sommers, Director of Administration/Marketing and Ioannis Karalias, Museum Vice President, The Chicago Athenaeum, and Kieran Conlon, Director/COO from the European Centre for Architecture, Art, Design, and Urban Studies.

PRIMETIME NURSERY
São Paulo, Brazil
Architects: Studio MK27
Client: Primetime Nursery
Out of the ninety-seven (97) projects selected for awards, the United States received the highest number of thirteen (13) awards, followed by China with eight (8), Japan and Great Britain with each seven (7) and Germany having six (6) awards. The Netherlands, Brazil, Italy, Canada won four (4) awards each. Australia won three awards, while Vietnam, Portugal, South Africa, Taiwan, Austria, Ireland, France, and Slovenia were given two (2) awards each. Single awards were given to Korea, United Arab Emirates, Switzerland, Latvia, Denmark, Iran, Luxembourg, Uganda, Burkino Faso, and Indonesia.

WEI-WU-YING CENTER FOR THE PREFORMING ARTS
Kaohsiung, Taiwan
Architects: Mecanoo architecten
Associate Architects: Arcasia Design Group
Client: Council for Cultural Affairs (CCA)
Structural Engineers: Supertech Consultants International
Mechanical/Electrical Engineers: Su, Tsai, and Associates Consulting Engineers
Electrical Engineers: Heng Kai Inc.
Landscape Architects: Mecanoo architecten
Landscape Architects: Old Farmer Landscape Architecture Co.
Theatre Consultant: theateradvies
Theatre Consultant: Performance, Arts, Technology, Design Consultants, Inc.
Acoustical Consultants: Xu Acoustique
Lighting Designer: CWI Lighting Design Inc.
3D Consultant: Lead Dao

CENTER FOR SUSTAINABLE ENERGY TECHNOLOGIES
Ningbo, People’s Republic of China
Architects: MCA Mario Cucinella Architects srl
Associate Architects: Ningbo Architectural Design and Research Institute
Client: University of Nottingham, Ningbo, China
Environmental Strategies: School of the Built Environment,
University of Nottingham, UK
Structural Engineers: Luca Turrini
Construction Management: WEG
MEP/Lighting Engineers: TiFS Engineers srl.
Photographer: Daniele Domenicali

CENTRO DE ARTES NADIR AFONSO
Boticas, Portugal
Architects: Louise Braverman, Architect
Associate Architects: Paulo Pereira Almeida, Arq.
Associate Architects: Artur Afonso, Arq.
Client: Municipio de Boticas
Engineers: JP Engenharia, Lda.
Engineers: MM Engeharia, Lda.
Landscape Architects: Maria João Ferreira, Arq.

RECONSTRUCTION PROJECT IN THE NO. 2-59-1 FUXING ROAD
Beijing, People’s Republic of China
Architects: China Architecture Design & Research Group
Client: WanYeYuan Real Estate Development Co. Ltd. of Beijing

ELMPARK MIXED-USE DEVELOPMENT
Dublin, Ireland
Architects: Bucholz McEvoy Architects Ltd.
Client: Radora Developments Ltd., Dublin
Contractor: Michael McNamara and Company
Structural Engineers: O’Conner Sutton Cronin & Associates Ltd.
M/E Engineers: Varming Consulting Engineers
Façade Engineer: RFR Paris Ingènieurs/Consulting Engineers
Environmental Engineers: Transsolar Energietechnik GmbH
Landscape Architects: Neveux-Rouyer Paysagistes DPLG
Lighting Design: Pritchard Themis Limited
Photographer: Michael Moran Photography, Inc.

MOBILE ART: CHANEL CONTEMPORARY ART CONTAINER
Hong Kong, SAR
Architects: Zaha Hadid Architects
Client: Chanel Corporation
Contractor: ES Projects, ES Group Ltd.
Project Management/Lighting/Engineering: ARUP (London)
Lighting/Engineering: ARUP (London)
Cost Consultant: Davis Langdon
Photographer: Marc Gerritsen
Photographer: Virgile Simon Bertrand
Photographer: John Linden
Photographer: Toshio Kaneko

BISHAN PUBLIC LIBRARY
Singapore, Republic of Singapore
Architects: LOOK Architects Pte. Ltd.
Client: National Library Board
Contractor: Sunhuan Construction Pte. Ltd.
Civil/Structural Engineers: Meinhardt (Singapore) Pte. Ltd.
M/E Engineers: Meinhardt (Singapore) Pte. Ltd.
Photographer: Patrick Bingham Hall
Photographer: Tim Nolan Photographer
For a complete list of projects visit the following link:
International Architecture Awards
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Escrevo — e ela aparece-me através da minha mão transparente
E ao canto do papel erguem-se as pirâmides...
Escrevo — perturbo-me de ver o bico da minha pena
Ser o perfil do rei Quéops...
De repente paro...
Escureceu tudo...
Caio por um abismo feito de tempo...
Estou soterrado sob as pirâmides a escrever versos à luz clara deste candeeiro
E todo o Egipto me esmaga de alto através dos traços que faço com a pena...
Ouço a Esfinge rir por dentro
O som da minha pena a correr no papel...
Atravessa o eu não poder vê-la uma mão enorme,
Varre tudo para o canto do tecto que fica por detrás de mim,
E sobre o papel onde escrevo, entre ele e a pena que escreve
Jaz o cadáver do rei Quéops, olhando-me com olhos muito abertos,
E entre os nossos olhares que se cruzam corre o Nilo
E uma alegria de barcos embandeirados erra
Numa diagonal difusa
Entre mim e o que eu penso...
Funerais do rei Quéops em ouro velho e mim!...
Fernando Pessoa