Terça-feira, 24 de Maio de 2016

Hora absurda

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© Nadir Afonso.


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Sábado, 14 de Maio de 2016

Pontes de Paris

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© Nadir Afonso.


publicado por Laura Afonso às 13:55
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Quinta-feira, 12 de Maio de 2016

Estudo

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 © Nadir Afonso.

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publicado por Laura Afonso às 23:40
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Quarta-feira, 4 de Maio de 2016

Nostalgia do amor

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© Nadir Afonso.


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Segunda-feira, 2 de Maio de 2016

Ville d'Harpe

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© Nadir Afonso.


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Terça-feira, 26 de Abril de 2016

Antropormofismos

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© Nadir Afonso


publicado por Laura Afonso às 12:19
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Sábado, 23 de Abril de 2016

Dia Mundial do Livro

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Sexta-feira, 22 de Abril de 2016

Portimão

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 © Nadir Afonso


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Sexta-feira, 15 de Abril de 2016

Nadir levanta voo

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Quinta-feira, 14 de Abril de 2016

Wall Street

 

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© Nadir Afonso.

 


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Terça-feira, 12 de Abril de 2016

Dernières êtres

© Nadir Afonso.39L_Guache_Nadir_1129.jpg

 


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Sexta-feira, 8 de Abril de 2016

A Cidade Longuínqua

«Para que olhas tu a cidade longínqua?
Tua alma é a cidade longínqua.»

Fernando Pessoa

 

 

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 © Nadir Afonso.

 


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Sexta-feira, 1 de Abril de 2016

Visita ao Museu Nadir Afonso em Chaves de um grupo de professores e alunos Faculdade de Arte e Arquitetura da Universidade de Linz, Áustria

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Domingo, 27 de Março de 2016

No dia Mundial do teatro imagens da peça «Um conto coreográfico em terras de Nadir» de Madalena Victorino.

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Com Ainhoa Vidal e Giacomo Scalisi. 443875949_bccc634678_m[1].jpg

 


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Quarta-feira, 23 de Março de 2016

Berlim

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© Nadir Afonso.

 

«Uma síntese do nosso conceito da Arte, inserto nos nossos anteriores estudos estéticos. Para tal torna-se necessário evitar a confusão característica das ciências filosóficas; urge observar a distinção entre o que existe como produto de uma facticidade estética e o que preexiste no seio da Natureza. A nosso ver, as condições em que se desenrola a vida de todo o criador incidem sobre a qualidade da sua obra, mas não determinam as leis preexistentes da Arte.» © Nadir Afonso.


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Segunda-feira, 21 de Março de 2016

Jeunes Filles de Nadir Afonso e Ser Poeta de Florbela Espanca

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Dia Mundial da Poesia

«Ser Poeta

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior...
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendos
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e cetim…
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente…
É seres alma e sangue e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!»
Florbela Espanca


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Sexta-feira, 18 de Março de 2016

Primavera

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 © Nadir Afonso.

 

«E os dois grupos encontram-se e penetram-se

Até formarem só um que é os dois...

A feira e as luzes da feira e a gente que anda na feira,

E a noite que pega na feira e a levanta no ar,

Andam por cima das copas das árvores cheias de sol,

Andam visivelmente por baixo dos penedos que luzem ao sol,

Aparecem do outro lado das bilhas que as raparigas levam à cabeça,

E toda esta paisagem de Primavera é a lua sobre a feira,

E toda a feira com ruídos e luzes é o chão deste dia de sol...

De repente alguém sacode esta hora dupla como numa peneira

E, misturado, o pó das duas realidades cai

Sobre as minhas mãos cheias de desenhos de portos

Com grandes naus que se vão e não pensam em voltar...

Pó de oiro branco e negro sobre os meus dedos...

As minhas mãos são os passos daquela rapariga que abandona a feira,

Sozinha e contente como o dia de hoje...

 

O maestro sacode a batuta,

E lânguida e triste a música rompe...

Lembra-me a minha infância, aquele dia

Em que eu brincava ao pé dum muro de quintal

Atirando-lhe com uma bola que tinha dum lado

O deslizar dum cão verde, e do outro lado

Um cavalo azul a correr um jockey amarelo...»

Fernando Pessoa


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Quarta-feira, 16 de Março de 2016

Zoo

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 © Nadir Afonso.

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Sábado, 12 de Março de 2016

Havana

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© Nadir Afonso.


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Sexta-feira, 4 de Março de 2016

Roma

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© Nadir Afonso.

«É uma ilusão a crença de poder expressar na tela os sentimentos, sem recorrer à representação figurativa, como é uma ilusão crer que a expressão dos sentimentos íntimos gera a obra de Arte.» 


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Quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2016

Salamanca

«A normatividade da arte clássica da Antiguidade apenas foi estabelecida no Renascimento; o sentido que se desenvolveu a partir do traçado da composição arquitectónica grega e romana, só fazendo a sua aparição como produto superior da razão centenas de anos mais tarde, com Alberti e Vignola, deveria depararse aos olhos de Husserl como um contra-senso cronológico. Destas antecipações do acto produtor em relação à sua significação imanente, deduz-se que nos actos geométricos dos primeiros geómetras, não se encontra essa intencionalidade que fundamenta o sentido, segundo Husserl e, entre as obras de arte, aquelas que ainda não segregaram o seu significado, são prova disso. A geometria só foi estabelecida em teoremas, axiomas e proposições teoréticas, muitos milhares de anos após a sua instauração pela prática dos homens, como o demonstra a geometria da obra de arte, que espera sempre a sua sistematização e a idealidade normativa do seu sentido.»

Nadir Afonso, O Sentido da Arte

 

 

 

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 © Nadir Afonso.


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Sexta-feira, 19 de Fevereiro de 2016

Desterro

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© Nadir Afonso.

 

 

Aqui, neste misérrimo desterro

Onde nem desterrado estou, habito,

Fiel, sem que queira, àquele antigo erro

Pelo qual sou proscrito.

O erro de querer ser igual a alguém

Feliz, em suma — quanto a sorte deu

A cada coração o único bem

De ele poder ser seu.

Ricado Reis (Fernando Pessoa)


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Quarta-feira, 17 de Fevereiro de 2016

Visita do ISCTE-IUL Departamento de Arquitectura e Urbanismo ao Museu Nadir Afonso, projecto de Álvaro Siza Vieira

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Visita de um grupo de alunos ISCTE-IUL Departamento de Arquitectura e Urbanismo a Chaves. Panificadora, projeto de Nadir Afonso

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Quarta-feira, 10 de Fevereiro de 2016

Museu Nacional Machado de Castro

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 A obra de Nadir Afonso, temporariamente exposta no Museu Nacional de Machado de Castro, inspirou as celebrações carnavalescas!


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Sábado, 6 de Fevereiro de 2016

Carnavalescas

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© Nadir Afonso.

 

 

 

CARNAVAL

A vida é uma tremenda bebedeira.

Eu nunca tiro dela outra impressão.

Passo nas ruas, tenho a sensação

De um carnaval cheio de cor e poeira...

A cada hora tenho a dolorosa

Sensação, agradável todavia,

De ir aos encontrões atrás da alegria

Duma plebe farsante e copiosa...

Cada momento é um carnaval imenso

Em que ando misturado sem querer.

Se penso nisto maça-me viver

E eu, que amo a intensidade, acho isto intenso

De mais... Balbúrdia que entra pela cabeça

Dentro a quem quer parar um só momento

Em ver onde é que tem o pensamento

Antes que o ser e a lucidez lhe esqueça...

Automóveis, veículos, (...)

As ruas cheias, (...)

Fitas de cinema correndo sempre

E nunca tendo um sentido preciso.

Julgo-me bêbado, sinto-me confuso,

Cambaleio nas minhas sensações,

Sinto uma súbita falta de corrimões

No pleno dia da cidade (...)

Uma pândega esta existência toda...

Que embrulhada se mete por mim dentro

E sempre em mim desloca o crente centro

Do meu psiquismo, que anda sempre à roda...

E contudo eu estou como ninguém

De amoroso acordo com isto tudo...

Não encontro em mim, quando me estudo,

Diferença entre mim e isto que tem

Esta balbúrdia de carnaval tolo,

Esta mistura de europeu e zulu

Este batuque tremendo e chulo

E elegantemente em desconsolo...

Que tipos! Que agradáveis e antipáticos!

Como eu sou deles com um nojo a eles!

O mesmo tom europeu em nossas peles

E o mesmo ar conjuga-nos

Tenho às vezes o tédio de ser eu

Com esta forma de hoje e estas maneiras...

Gasto inúteis horas inteiras

A descobrir quem sou; e nunca deu

Resultado a pesquisa... Se há um plano

Que eu forme, na vida que talho para mim

Antes que eu chegue desse plano ao fim

Já estou como antes fora dele. É engano

A gente ter confiança em quem tem ser...

(...)

Olho p'ró tipo como eu que ai vem...

(...)

Como se veste (...) bem

Porque é uma necessidade que ele tem

Sem que ele tenha essa necessidade.

Ah, tudo isto é para dizer apenas

Que não estou bem na vida, e quero ir

Para um lugar mais sossegado, ouvir

Correr os rios e não ter mais penas.

Sim, estou farto do corpo e da alma

Que esse corpo contém, ou é, ou faz-se...

Cada momento é um corpo no que nasce...

Mas o que importa é que não tenho calma.

Não tenciono escrever outro poema

Tenciono só dizer que me aborreço.

A hora a hora minha vida meço

E acho-a um lamentável estratagema

De Deus para com o bocado de matéria

Que resolveu tomar para meu corpo...

Todo o conteúdo de mim é porco

E de uma chatíssima miséria.

Só é decente ser outra pessoa

Mas isso é porque a gente a vê por fora...

Qualquer coisa em mim parece agora

Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)

 

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Domingo, 31 de Janeiro de 2016

Homenagem da Câmara Municipal da Amadora a Nadir Afonso.

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Sexta-feira, 29 de Janeiro de 2016

Desenhos de arquitetura de Nadir Afonso

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© Nadir Afonso. 


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Segunda-feira, 25 de Janeiro de 2016

Exposição Nadir Afonso - Sequenzas no Museu Nacional Machado de Castro em Coimbra

  

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 Museu Nacional de Machado de Castro.

LA e Ana Alcoforado


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Quinta-feira, 21 de Janeiro de 2016

Exposição Nadir Afonso - Sequenzas no Museu Nacional Machado de Castro em Coimbra

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Terça-feira, 19 de Janeiro de 2016

Montagem da Exposição de Nadir Afonso no Museu Nacional Machado de Castro

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publicado por Laura Afonso às 23:10
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Sábado, 16 de Janeiro de 2016

«Só a arte é útil. Crenças, exércitos, impérios, atitudes - tudo isso passa. Só a arte fica, por isso só a arte se vê, porque dura. » Fernando Pessoa

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Quinta-feira, 14 de Janeiro de 2016

Copacabana

COPACABANA, c. 1955, Óleo sobre tela. 83,7 x 129,

 © Nadir Afonso.


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Sexta-feira, 8 de Janeiro de 2016

Heraclion

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 © Nadir Afonso

 

«Por toda a parte existe Geometria».  Platão


publicado por Laura Afonso às 12:24
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Terça-feira, 5 de Janeiro de 2016

Arq. Álvaro Siza: preparação do plano de musealização do Museu Nadir Afonso em Chaves

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Segunda-feira, 4 de Janeiro de 2016

Da Ocidental Praia Lusitana

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© Nadir Afonso.


publicado por Laura Afonso às 08:09
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Sexta-feira, 1 de Janeiro de 2016

Feliz ano novo para todos ... Um maravilhoso 2016...

Palaces

© Nadir Afonso.

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Quarta-feira, 30 de Dezembro de 2015

Passagem das Horas

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© Nadir Afonso.

 

 

«Trago dentro do meu coração,

Como num cofre que se não pode fechar de cheio,

Todos os lugares onde estive,

Todos os portos a que cheguei,

Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,

Ou de tombadilhos, sonhando,

E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero.

A entrada de Singapura, manhã subindo, cor verde,

O coral das Maldivas em passagem cálida,

Macau à uma hora da noite... Acordo de repente...

Yat-lô-ô-ô-ô-ô-ô-ô-ô-ô... Ghi — ...

E aquilo soa-me do fundo de uma outra realidade...

A estatura norte-africana quase de Zanzibar ao sol...

Dar-es-Salaam (a saída é difícil)...

Majunga, Nossi-Bé, verduras de Madagáscar...

Tempestades em torno ao Guardafui...

E o Cabo da Boa Esperança nítido ao sol da madrugada...

E a Cidade do Cabo com a Montanha da Mesa ao fundo...

Viajei por mais terras do que aquelas em que toquei...

Vi mais paisagens do que aquelas em que pus os olhos...

Experimentei mais sensações do que todas as sensações que senti,

Porque, por mais que sentisse, sempre me faltou que sentir

E a vida sempre me doeu, sempre foi pouco, e eu infeliz.

A certos momentos do dia recordo tudo isto e apavoro-me,

Penso em que é que me ficará desta vida aos bocados, deste auge,

Desta estrada às curvas, deste automóvel à beira da estrada, deste aviso,

Desta turbulência tranquila de sensações desencontradas,

Desta transfusão, desta insubsistência, desta convergência iriada,

Deste desassossego no fundo de todos os cálices,

Desta angústia no fundo de todos os prazeres,

Desta saciedade antecipada na asa de todas as chávenas,

Deste jogo de cartas fastiento entre o Cabo da Boa Esperança e as Canárias.

Não sei se a vida é pouco ou de mais para mim.

Não sei se sinto de mais ou de menos, não sei

Se me falta escrúpulo espiritual, ponto-de-apoio na inteligência,

Consanguinidade com o mistério das coisas, choque

Aos contactos, sangue sob golpes, estremeção aos ruídos,

Ou se há outra significação para isto mais cómoda e feliz.

Seja o que for, era melhor não ter nascido,

Porque, de tão interessante que é a todos os momentos,

A vida chega a doer, a enjoar, a cortar, a roçar, a ranger,

A dar vontade de dar gritos, de dar pulos, de ficar no chão, de sair

Para fora de todas as casas, de todas as lógicas e de todas as sacadas,

E ir ser selvagem para a morte entre árvores e esquecimentos

Entre tombos, e perigos e ausência de amanhãs,

E tudo isto devia ser qualquer outra coisa mais parecida com o que eu penso,

Com o que eu penso ou sinto, que eu nem sei qual é, ó vida.

Cruzo os braços sobre a mesa, ponho a cabeça sobre os braços,

E preciso querer chorar, mas não sei ir buscar as lágrimas...

Por mais que me esforce por ter uma grande pena de mim, não choro,

Tenho a alma rachada sob o indicador curvo que lhe toca...

Que há-de ser de mim? Que há-de ser de mim?

Correram o bobo a chicote do palácio, sem razão,

Fizeram o mendigo levantar-se do degrau onde caíra.

Bateram na criança abandonada e tiraram-lhe o pão das mãos.

Oh mágoa imensa do mundo, o que falta é agir...

Tão decadente, tão decadente, tão decadente...

Só estou bem quando ouço música, e nem então.

Jardins do século dezoito antes de 89,

onde estais vós, que eu quero chorar de qualquer maneira?

Como um bálsamo que não consola senão pela ideia de que é um bálsamo,

A tarde de hoje e de todos os dias pouco a pouco, monótona, cai.

Acenderam as luzes, cai a noite, a vida substitui-se.

Seja de que maneira for, é preciso continuar a viver.

Arde-me a alma como se fosse uma mão, fisicamente.

Estou no caminho de todos e esbarram comigo.

Minha quinta na província,

Haver menos que um comboio, uma diligência e a decisão de partir entre mim e ti.

Assim fico, fico... Eu sou o que sempre quer partir,

E fica sempre, fica sempre, fica sempre,

Até à morte fica, mesmo que parta, fica, fica, fica...

Torna-me humano, ó noite, torna-me fraterno e solícito.

Só humanitariamente é que se pode viver.

Só amando os homens, as acções, a banalidade dos trabalhos,

Só assim — ai de mim! —, só assim se pode viver

Só assim, ó noite, e eu nunca poderei ser assim!

Vi todas as coisas, e maravilhei-me de tudo,

Mas tudo ou sobrou ou foi pouco — não sei qual — e eu sofri.

Vivi todas as emoções, todos os pensamentos, todos os gestos,

E fiquei tão triste como se tivesse querido vivê-los e não conseguisse

Amei e odiei como toda a gente,

Mas para toda a gente isso foi normal e instintivo,

E para mim foi sempre a excepção, o choque, a válvula, o espasmo.

Vem, ó noite, e apaga-me, vem e afoga-me em ti.

Ó carinhosa do Além, senhora do luto infinito,

Mágoa externa da Terra, choro silencioso do Mundo.

Mãe suave e antiga das emoções sem gesto,

Irmã mais velha, virgem e triste, das ideias sem nexo,

Noiva esperando sempre os nossos propósitos incompletos,

A direcção constantemente abandonada do nosso destino,

A nossa incerteza pagã sem alegria,

A nossa fraqueza cristã sem fé,

O nosso budismo inerte, sem amor pelas coisas nem êxtases,

A nossa febre, a nossa palidez, a nossa impaciência de fracos,

A nossa vida, ó mãe, a nossa perdida vida...

Não sei sentir, não sei ser humano, conviver

De dentro da alma triste com os homens meus irmãos na terra.

Não sei ser útil mesmo sentindo, ser prático, ser quotidiano, nítido,

Ter um lugar na vida, ter um destino entre os homens,

Ter uma obra, uma força, uma vontade, uma horta,

Uma razão para descansar, uma necessidade de me distrair,

Uma coisa vinda directamente da natureza para mim.

Por isso se para mim materna, ó noite tranquila...

Tu, que tiras o mundo ao mundo, tu que és a paz,

Tu que não existes, que és só a ausência da luz,

Tu que não és uma coisa, um lugar, uma essência, uma vida,

Penélope da teia, amanhã desfeita, da tua escuridão,

Circe irreal dos febris, dos angustiados sem causa,

Vem para mim, ó noite, estende para mim as mãos,

E sê frescor e alívio, ó noite, sobre a minha fronte...

Tu, cuja vinda é tão suave que parece um afastamento,

Cujo fluxo e refluxo de treva, quando a lua bafeja,

Tem ondas de carinho morto, frio de mares de sonho,

Brisas de paisagens supostas para a nossa angústia excessiva...

Tu, palidamente, tu, flébil, tu, liquidamente,

Aroma de morte entre flores, hálito de febre sobre margens,

Tu, rainha, tu castelã, tu, dona pálida, vem...»

Álvaro de Campos

 


publicado por Laura Afonso às 01:15
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Terça-feira, 29 de Dezembro de 2015

Salamanca

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 © Nadir Afonso.

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Sexta-feira, 25 de Dezembro de 2015

Boas Festas para todos

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publicado por Laura Afonso às 02:27
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